Atividades da pesquisa – Trabalhos com Ana Teixeira da AMOK

A partir de amanhã o grupo Antropofocus™ começa uma oficina com Ana Teixeira, diretora e professora do grupo AMOK do Rio de Janeiro. Vamos aproveitar a vinda deles para a apresentação do espetáculo KABUL, que estará em cartaz no Teatro da Caixa na semana que vem. Na terça, dia 25, o Antropofocus™ estará promovendo, com o apoio da Fundação Cultural de Curitiba, Prefeitura de Curitiba, Caixa Econômica Federal e Teatro Experimental da UFPR (TEUNI), uma palestra com a diretora Ana Teixeira nas dependências da UFPR. Mais informações ainda esta semana.

 

Um breve currículo sobre Ana Teixeira:

Formou-se em dança com Angel Vianna de quem foi também assistente. Como bailarina trabalhou com diversos coreógrafos como João Carlos Ramos, Angel Vianna e Jean-Marie Dulbrul. Especializada no sistema Laban de movimento, a partir de 1987, é professora desta disciplina no curso de formação de bailarinos no Centro de Estudo do Movimento e Artes – Angel Vianna no Rio de Janeiro.

Em 1989 viaja para a França onde ingressa na Escola de Mímica Corporal Dramática de Paris. Durante sete anos se dedica ao estudo desta técnica sob a direção de Steven Wasson e Corinne Soun, últimos assistentes do mestre francês Etienne Decroux. A partir de 1992 ingressa na Cia. Théâtre de L'Ange Fou, onde participa de várias criações e do trabalho de reconstituição do repertório mimográfico de Etienne Decroux. Licenciada em Estudos Teatrais pela Universidade Sorbonne – Paris III, entre 1993 e 1996 passa diversas temporadas em Bali onde estuda o teatro Topeng (teatro tradicional de máscaras). Ainda na França integra o Toko Teatro e participa do espetáculo "Conteurs". Em 1997, parte para o Myanmar e estuda a dança siamesa com o mestre Lu Maw.

De volta ao Brasil em 1995, dirige com Stephane Brodt os espetáculos: "Memórias do Velho Mundo" (1996) e "O Dibuk" (2000). Em 1998, funda o Amok Teatro com o ator e diretor Stephane Brodt e dirige os espetáculos: Cartas de Rodez (1998) – Prêmio Shell de melhor direção e melhor ator, Prêmio Mambembe de melhor espetáculo e indicado ao Prêmio Mambembe de direção; O Carrasco (2002) – Prêmio Governo do Estado de melhor espetáculo e indicado ao Prêmio Shell de atriz e maquiagem e ao Prêmio Governo do Estado de direção e figurino; Macbeth (2004) – indicado ao Prêmio Shell de figurino e Prêmio BR de espetáculo e ator e Savina (2006) – indicado ao Prêmio Shell de figurino e O Dragão (2008), indicado ao prêmio Quem de melhor ator e atriz e eleito selecionado um dos melhores espetáculos da temporada de 2008 pelo jornal  O Globo. Desde 2003, Ana Teixeira dirige a Casa do Amok, sede da Cia. e também um centro de formação e divulgação do teatro de Etienne Decroux, além de receber outras companhias e artistas, abrigar encontros, palestras e oficinas.

 Desde 1995, Ana Teixeira vem fazendo conferências, demonstrações, publicando artigos em revistas especializadas e lecionando Interpretação e Mímica Corporal em diversas instituições, universidades e festivais. Desde 2002. Ana Teixeira é curadora e coordenadora do ECUM – Encontro Mundial das Artes Cênicas.

 

Mas o mais importante é o seguinte: de 28 a 30 de agosto a Ana Teixeira vai dar um workshop GRATUITO. Segue abaixo as informações:

 

Técnica e Improvisação
 
Ministrante: Ana Teixeira do grupo AMOK
 
O curso tem por objetivo desenvolver a expressão dramática do ator por meio de um treinamento que inclui trabalho físico (técnica de E. Decroux), trabalho de voz e improvisação. A técnica de Etienne Decroux é o estudo detalhado do movimento e do gesto. Os exercícios visam a um completo conhecimento dos órgãos de expressão do corpo humano, o controle das articulações, do ritmo e das tensões da musculatura.
 
A improvisação propõe uma prática teatral a partir de uma visão física do teatro, onde o corpo não é somente um instrumento atlético, mas também um reservatório de sensações que determinam as ações. Ela procura fazer coincidir a interioridade com a exterioridade. A improvisação desenvolve uma inteligência cênica que articula o físico e o mental e oferece a liberdade a partir da qual o ator pode se expressar como um criador.
 
Etienne decroux nasceu na frança em 1898 e foi um dos mestres mais influentes do teatro ocidental. Ator, teórico e pedagogo, ele trabalhou toda a sua vida para edificar uma arte para o ator. A mímica corporal dramática permite um controle total dos órgãos de expressão do corpo e o emprego artificial desses órgãos. Foi o homem de teatro que mais aprofundou a idéia de decomposição e recomposição do corpo. Seu trabalho foi o de elevar o ator ao nível de criador, oferecendo os elementos técnicos para poder compor cenicamente.

Sua pesquisa sobre os fundamentos do trabalho do ator permanece inigualável em toda a história do teatro do século XX.
 
Números de participantes: 20

Idade: acima dos 18 anos

Data:28 , 29 e 30 das 13h as 15h
Local: Teatro da CAIXA
Usar roupas confortáveis para oficina.

Inscrição GRATUITA pelo site amok@terra.com.br;

O email deverá conter informações pessoais e dizer "porque participar da oficina"

 

Aproveitem esta oportunidade única!

 

Aquele abraço

Texto sobre o trabalho corporal de Vitor Hugo

RELATÓRIO SOBRE A IMPORTÂNCIA DO TREINAMENTO CORPORAL PARA O TRABALHO DO ATOR

por Vitor Hugo


 

O Treinamento Corporal constante a que nosso grupo está sendo submetido serve como suporte para a realização do fazer teatral, pois funciona tanto preparação física, como crescimento pessoal, quanto à busca de uma ética corporal.

 

 

Um ator completo necessita para uma perfeita e enérgica atuação desenvolver habilidades que o diferenciem do ser humano cotidiano com seus vícios e manias corporais adquiridos com o passar dos anos, ou seja, precisa de uma postura extra-cotidiana.

 

 

Entenda-se como postura extra-cotidiana as atividades na qual nosso organismo não está acostumado a executar durante o dia a dia. Essas posturas exigem um esforço excessivo de certas partes do corpo a qual nosso organismo não está adaptado.

 

 

O corpo do ator é sua ferramenta de trabalho e, portanto, não pode nunca estar desgastada e sem constante manutenção, pois através do seu corpo e suas habilidades corporais o ator faz com que uma natureza corporal cotidiana e estática ganhe expressividade e se torne crível de que o ator está realmente interpretando outra "persona" que não a sua cotidiana.

 

 

Todo ator precisa do seu corpo como veículo para criação teatral. Não um corpo duplo, em que o corpo e a mente estão separados, mas sim em sua totalidade, na arte que emana desta pessoa em sua integralidade: o ator. E nosso treinamento com o Wilson é focado nesta união mente e corpo.

 

 

Todo bom ator deve ter um repertório corporal que sirva de base para a construção do movimento corporal de seus futuros personagens. Comumente notamos que atores que possuem formação em dança, têm mais facilidade em criar uma partitura de movimentos não-convencionais, do que os atores que não possuem este tipo de formação. Esta constatação só reforça a necessidade do desenvolvimento das habilidades corporais do ator, como uma forma de aprimorar a qualidade corporal expressiva de seus personagens.

 

 

O constante trabalho corporal de que estamos participando impede que, quando necessitarmos utilizar movimentos extra cotidianos na composição corporal de algum personagem, não soframos dores musculares ou lesões em virtude de não estarmos constantemente em treinamento.

 

 

O personagem que o ator representa é quem estabelece a relação com o público, porém é a presença física atuante e enérgica do ator que garante e da credibilidade e significado à atuação.

 

 

O treinamento constante garante um repertório corporal mais rico. Através da utilização de recursos de outras artes, como algumas artes marciais, que exigem concentração total e disciplina o ator desenvolve maneiras de fugir do movimento cotidiano.

 

 

O trabalho semanal que realizamos com o Wilson desenvolve não somente habilidades corporais, como também o ser humano em sua totalidade, pois além de trabalharmos com nosso corpo somos obrigados a estar totalmente centrados e concentrados no que estamos fazendo para que o treinamento com base nas artes marciais seja eficaz.

 

 

Este treinamento que estamos participando faz parte de um processo de descoberta do ator, e não da personagem. Das descobertas de nossas inesgotáveis possibilidades corporais, da ampliação de nosso movimento, da relação do nosso corpo com o outro e com o espaço.

 

 

Este treinamento do qual estamos participando não é meramente físico, pois os exercícios propostos pelo Wilson visam construir pontes entre o físico e o mental, e todos sabemos que um ator não deve apenas praticar exercícios de forma repetitiva, baseada na cópia, como é feito pelos adeptos do balé clássico. O ator tem que pensar.

 

 

O pensar não se refere apenas ao desenvolvimento intelectual e sim, desenvolver uma inteligência corpóreo-cinestésica, ou seja, a capacidade de utilizar o próprio corpo de várias formas, altamente diferenciadas e hábeis, com propósitos expressivos, atendendo a objetivos intencionalmente determinados, ou seja, um corpo como um todo, que interage com seu meio e consigo mesmo. Sensitivo e perceptivo tanto a estímulos exteriores, quanto aos referentes às sensações cinestésicas que nascem a partir do seu próprio corpo.(XAVIER, 1998:12).

 

 

Grotowski cita que o treinamento vai além do desenvolvimento das habilidades corporais e mentais. Para o diretor polonês, o treinamento é também um meio de desenvolvimento pessoal, fora da profissão. Essa forma de pensamento, onde se busca a formação do ator em sua totalidade, não é nova. Na França, na primeira metade do século XX, tanto Copeau, como Jouvet e Dullin, buscavam a formação do ator "completo". Ambos primavam pelo desenvolvimento das habilidades físicas e mentais, mas, sobretudo, pela ética do ator.

 

 

Diariamente surgem infindáveis métodos diferentes de treinamento, todos objetivando basicamente sensibilizar o ator e deixá-lo em estado de criatividade. Porém, observa-se que algumas práticas buscam levar o ator a este estágio a partir de um trabalho físico baseado na exaustão e na dor sem fazê-lo também pensar.

 

 

Acho que o treinamento corporal que o ANTROPOFOCUS vem participando visa aprimorar técnicas que possam fazer parte do nosso treinamento para criação de um corpo extra-cotidiano, englobando tanto preparação física e crescimento pessoal, quanto a busca de uma ética corporal.

 

 

 

 

Câmera: Célio Savi

Edição: Andrei Moscheto

 

O professor Wilson Sagae dá aulas de Aikido e de Técnica de Respiração & Desenvolvimento de Ki no Centro de Desenvolvimento de Ki – Rua Sete de Abril, 830, 2 andar, tel 3263-1217  

Texto sobre o trabalho corporal de Marcelo Rodrigues

O trabalho físico do ator
 por Marcelo Rodrigues
Dissecar o corpo, se entregar a descoberta, aceitar o não conhecimento desse enigmático instrumento. Essa é uma parte da pesquisa que estou vivenciando, pesquisa esta conduzida por Wilson Sagae, em busca do entendimento corporal, enquanto indivíduo e enquanto artista. A percepção dos mínimos movimentos, de alguns músculos até então desconhecidos, mas que agora, durante este trabalho, acordaram, mostrando-me a sua existência. A lei do menor esforço, percebendo um músculo contraído e buscar relaxá-lo, uma maior e melhor respiração, não deixando que nem um esforço desnecessário a bloqueie ou a redescoberta de uma simples caminhada. Inicialmente isso causa certo desconforto, às vezes provocado por uma alteração mecânica ou por uma ansiedade, consciente, mais persistente. Tudo isso me coloca em um estado de alerta, visando a preparação de um corpo para extrapolar os limites, os meus limites. Neste trabalho o corpo e a mente têm que estar em total sintonia, quando falo de corpo e mente, sei que não estou falando de um assunto novo, mas desta forma está sendo novo ou pelo menos uma nova visão desta relação, através de muito treino e muita sensibilidade. A entrega é dolorosa, a aceitação é agradável e o resultado do trabalho contínuo provoca no organismo mudanças significativas, mas que não podem ficar apenas no treino, tenho que torná-lo parte do cotidiano. Eis aí uma nova motivação diária.

 

 

Câmera: Célio Savi

Edição: Andrei Moscheto

Texto sobre o trabalho corporal de Danilo Correia

Relatório sobre as aulas de Corpo

por Danilo Correia

 

 Com a prática e o conhecimento da técnica corporal orientada pelo professor Wilson, tem nos possibilitado a consciência corporal através de seu entendimento empírico. A respiração como base de todo o trabalho tem sido motivo de busca incansável pela melhor disponibilidade corporal e sua compreensão. Cada dia de treinamento é sempre uma transformação que tem mudado tanto o aspecto corporal como uma nova maneira de organizar a vida em geral. Todas as tentativas de acerto e adequação com novos caminhos que a respiração exige para melhor desempenho do ator faz com que coloquemos em choque todo e qualquer conhecimento prévio sobre o ser e fazer artísco-corporal. Introduz-se então a questão corpo/atitude cotidiano e extra cotidiano, que tem sido trabalhado através da prática de percepção, senso percepção e sensação magnética.  

 

Todos esses instrumentos oferecidos pela atividade respiratória permite que a pesquisa se desenvolva de maneira eficiente e ao mesmo tempo desafiadora a todo o momento. Essa condição do trabalho do ator no encontro do seu limite e a sua superação faz com que haja uma transformação e apropriação de uma técnica dominante capaz de  prepará-lo  a qualquer momento para o dia-a-dia ou para a atuação no espetáculo. O treinamento proporciona ainda a sensação de busca da coletividade, confiança e interatividade do grupo, que por meio da prática, permeia inevitavelmente pelos aspectos emocionais, fazendo com que se crie análise individual e coletiva.

 

Esse processo de investigação minuciosa a cerca da respiração coloca cada vez mais o trabalho da nossa pesquisa num nível de complexidade que nos obriga a perceber o estado físico do ator como foco condutor da atuação e seus princípios. Descoberta esta que exige a construção de um vocabulário corporal coerente e seus mecanismos práticos para sua funcionalidade dentro e fora do palco.

 

 

 

Gravação do vídeo: Célio Savi

Edição: Andrei moscheto

Com a Palavra, Wilson Sagae

Foi-me pedido um texto sobre o que é nosso trabalho corporal dentro do Projeto PSIU. Para evitar uma bíblia vou resumir ao máximo, sem entrar em detalhes conceituais. Futuramente é possível esclarecer alguns aspectos que tenham ficado por demais resumidos.

 

Preparar atores para serem atores melhores é tornar o ator um ser humano melhor. Alguém mais cônscio de si e capaz de fazer o melhor uso de si mesmo. Para tanto utilizo referências várias que vão da Técnica de Alexander às Artes Marciais; passando com destaque por métodos de respiração (ou deveria dizer: utilizando especificamente técnicas de respiração para onde todas essas outras referências convergem).

 

Um aspecto fundamental são as palavras (conceitos) expressos durante os encontros. Para evitar o excesso de termos orientais, utilizo uma transcrição – interpretação segundo o uso – de certos conceitos vindos do Japão e China. Para tanto me aproveito da linguagem vinda da Teoria do Trauma, desenvolvida por Peter Levine. Tomando trauma por um processo que não se concluiu, reflito sobre o fluxo ou estagnação da energia em nosso corpo – energia na troca interna e externa. Quando esse processo trava, temos um trauma. (para quem tem algum conhecimento de medicina tradicional do oriente ou mesmo leituras a respeito de Ki e/ou Chi fica claro o paralelo).

 

Trauma pode ser um osso quebrado e não curado ou uma sensação de peso (algo que limita nosso movimento, pensar, sentir) que não desaparece. Por vezes acordamos dizendo sentir um peso nas costas, uma dor nas pernas, um incômodo na barriga (minha consciência pesa, o medo me trava etc) e agimos como se isso fosse natural e permanente, ao invés de perceber a sensação de peso como uma opção – algo que podemos fazer uso e depois seguir adiante vivendo de maneira leve. Em um resumo do resumo, o trabalho com o grupo é entender que a sensação de peso como limitação de vida é um mal entendido no uso de si mesmo e desenvolver meios de viver de forma leve.

 

O projeto de trabalho envolve um ano de acompanhamento do grupo, com aulas semanais. Nos primeiros encontros passamos por uma série de exercícios visando apresentar e desenvolver capacidades proprioceptivas e sensoperceptivas, assim como certas qualidades de grupo – grupo tratado como individualidade coerente e capaz de seguir a um objetivo. Ao mesmo tempo serviu para uma avaliação de cada um deles e da dinâmica em conjunto.

 

Em um segundo momento fizemos exercícios específicos nos quais o desafio e o risco estavam sempre presentes. Assim apresentamos a superação de atividades mais e mais complexas como algo cotidiano; e tornamos o avançar como resultado da confiança no grupo.

 

A seguir passamos a exercícios nos quais é necessário delegar liderança em um estado de limitação complexa (olhos vendados), sem com isso abandonar a si mesmo completamente.


Cada fase até o momento buscou aprimorar o entendimento dos conceitos, o valor da leveza, o uso da leveza como instrumento necessária à superação e o exercício como validação do método. A respiração entrou como especificidade técnica em todos os momentos.

 

Texto de Wilson Sagae

Aulas com Wilson Sagae – 11 de fevereiro

 

 

Aulas com Wilson Sagae – 4 de fevereiro

 

 

PSIU! A dramaturgia do silêncio

Começa agora em abril a primeira amostragem de material on-line do projeto de pesquisa PSIU!, que o grupo Antropofocus™ realiza com o auxílio do Edital de Pesquisa em Linguagem Teatral da Fundação Cultural de Curitiba, com o apoio da Curitiba Ki Society e DECOM-UFPR.

 

Desde a sua fundação, o grupo AntropofocusTM dedica-se a observar o ser humano e seu comportamento no cotidiano, sabendo que todas as suas ações podem ser consideradas cômicas, dependendo do prisma pelo qual é observado. Esta premissa inicial instigou o grupo a explorar diferentes formas de comicidade. As bases de estudo vieram de outros grupos de humor: o Monty Python (Inglaterra), com a liberdade da linguagem non-sense; o Les Luthiers (Argentina), com seus textos de humor refinado e jogos de palavras; o Asdrúbal Trouxe o Trombone (Brasil), pelo processo colaborativo de criação; o Parlapatões (Brasil) pela referencia de ser um grupo que pesquisa o humor no Brasil.

 

Em nossos oito anos de trabalho, o grupo se propõe a investigar os paradigmas da comédia comercial (a falsa necessidade de apelação gratuita para atrair o público), os conceitos firmados por Henry Bergson em seu tratado antropológico O Riso, as possibilidades cômicas dos signos teatrais e a improvisação como técnica de criação. Mas foi na pesquisa da última peça, Contos Proibidos de AntropofocusTM, que experimentamos a força da comicidade no som, um conceito firmado por grandes comediantes. Charles Chaplin tinha cuidado com a sonoplastia de cada momento de seus filmes; Harpo Marx não falava, mas a sua buzina e os sons de "slapstick" complementavam seu ato; Marcel Marceau, ao fazer demonstrações públicas, usa o estampido dos seus pés no chão, pontuando momentos importantes da sua cena. Os jargões que todos os comediantes usam são medidas sonoras: "tom da fala", "timming" (tempo) e ritmo. Então, a pergunta que fazemos para esta pesquisa é:

 

Onde está a comédia no silêncio?

 

Sem o uso da sonoplastia, da palavra, da onomatopéia produzida pela voz ou pelo corpo, como o ator fará para se comunicar comicamente com a platéia? Sendo assim, a idéia da pesquisa é responder em qual medida o som está ligado ao resultado do humor e o que pode substituí-lo no silêncio.

 

O ponto de partida do projeto se dará junto a comunidade de surdos de Curitiba. Segundo o IBGE, a capital paranaense tem uma população de surdos ou deficientes auditivos de, aproximadamente, 35 mil pessoas – quase 2% de sua população. A idéia é a imersão num universo cuja lógica não compreende a utilização do som. Porém, este projeto não é (exclusivamente) de cunho social. O interesse dos pesquisadores é encontrar um caminho para a compreensão da arte do ator-comediante, perante o impasse da não-verbalização de suas idéias e a falta de qualquer possibilidade sonora complementando a sua ação.

 

Acreditamos que, com esta pesquisa, o grupo AntropofocusTM poderá levantar questões pertinentes sobre o riso no silêncio, quais são os fatores que o propiciam e compartilhar essas respostas com todos os interessados.

 

 

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