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Antroponews – Começo de 2011!

este atigo foi para o link http://www.antropofocus.com.br/blog/antroponews/2011/01/23/antroponews-comeco-de-2011/

Ainda bem que tudo muda!

Compartilhar os vexames passados é parte do dia a dia

O título do artigo de hoje trás uma lógica que reina, obscura, no mundo dos comediantes e escritores: o ato de expor seus momentos mais terríveis faz parte da sua arte (sendo arte aqui lida como “técnica”). Isso é bem real, se você parar para pensar nos seus amigos que te contam dos momentos embaraçosos que eles tiveram na vida. Quando não são fatalidades, contadas com o pesar de uma dor que ainda permanece, a história é sempre hilária.

O ano era 1994 e eu estava indo pro Japão. Um ano de intercâmbio na terra do sol nascente. Muitas coisas precisam ser feitas para se preparar para uma viagem de um ano, inclusive o meu primeiro passaporte. E este é o meu momento de embaraço.

Quando eu finalmente chegeui no Japão, éramos 140 estudantes e tínhamos uma semana inteira de adaptação antes de ir para a família que hospedaria cada um de nós. Vários jogos aconteciam para passar o tempo livre, ente eles um que era “quem tem a pior foto de passaporte”. Aqui estou eu, no nosso blog, contando para vocês que fui o honorável campeão dos intercambistas de 1994 com “a pior foto de passaporte”, ganhando de representantes americanos, europeus, asiáticos e da galera da oceania também. Que orgulho!


passaporte Compartilhar os vexames passados é parte do dia a dia

Ainda bem que tudo muda!





Exercício de uma oficina de dramaturgia

Semana passada fiz uma oficina de dramaturgia com o Marcio Abreu, ali na Companhia Brasileira de Teatro, e ele propôs um exercício interessante. Seria uma entrevista relâmpago com algum dos nossos colegas e, munidos desta informação, escreva um texto rápido. O resultado do exercício está aqui:

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Quase uma estranha novidade dormir cedo. Acordar cedo, mais bizarro ainda. Nem acredito que o workshop – oficina? – começou falando sobre isso. Falava sobre a dificuldade de começar. Falava sobre isso. Hoje foi difícil começar.

Cedo, acordei, Tava dormindo com a camiseta de um vereador, uma campanha há tanto tempo atrás que é provável que ele esteja morto… ou honesto. Saio da cama pra fazer café. Frio. Frio em dezembro. Mas é Curitiba, eu deveria prever que isso sempre é possível aqui.

O café está pronto. “Agora o leite”, me lembra a gastrite.

- Você achou que eu ia esquecer?

- Não custa falar. Vai que hoje, por causa do frio…

- É muito cedo pra você duvidar de mim.

- Desculpa… Bom dia.

- Bom dia.

Volto e arrumo a roupa sobre a cama. Banho bem quente. A gastrite agradece e se acalma. Saio, me troco. Estou pronto. Só falta um único desafio. O gato.

Ele mora no meu apartamento, contra a minha vontade. Estou de blusa preta e, antes que possa refrear minha imaginação, já aciciono a blusa, mais o pêlo, mais a alergia, mais o ódio ao gato.

Vou checar os emails. Isso adia o desafio. Quem sabe, Aliás, que horas começa o curso mesmo? Veja no email. Às nove. Isso. Saio do quarto. Não há gato.

- Ele está no quarto do lado. A porta tá fechada. Aproveita.

- Pensei que você estivesse dormindo.

- Quando você se preocupa…

Saio para caminhar pela Comendador Franco. Ops! Araújo. Comendador Araújo. Sem pêlos de gato, com a energia do café e da torinha de banana. O dia já pode começar.