Antroponews – Começo de 2011!
18/01/11
este atigo foi para o link http://www.antropofocus.com.br/blog/antroponews/2011/01/23/antroponews-comeco-de-2011/
Compartilhar os vexames passados é parte do dia a dia
18/01/11
O título do artigo de hoje trás uma lógica que reina, obscura, no mundo dos comediantes e escritores: o ato de expor seus momentos mais terríveis faz parte da sua arte (sendo arte aqui lida como “técnica”). Isso é bem real, se você parar para pensar nos seus amigos que te contam dos momentos embaraçosos que eles tiveram na vida. Quando não são fatalidades, contadas com o pesar de uma dor que ainda permanece, a história é sempre hilária.
O ano era 1994 e eu estava indo pro Japão. Um ano de intercâmbio na terra do sol nascente. Muitas coisas precisam ser feitas para se preparar para uma viagem de um ano, inclusive o meu primeiro passaporte. E este é o meu momento de embaraço.
Quando eu finalmente chegeui no Japão, éramos 140 estudantes e tínhamos uma semana inteira de adaptação antes de ir para a família que hospedaria cada um de nós. Vários jogos aconteciam para passar o tempo livre, ente eles um que era “quem tem a pior foto de passaporte”. Aqui estou eu, no nosso blog, contando para vocês que fui o honorável campeão dos intercambistas de 1994 com “a pior foto de passaporte”, ganhando de representantes americanos, europeus, asiáticos e da galera da oceania também. Que orgulho!
Bora lá?!
13/01/11
Salve querido visitando deste blog. Bem vindo a edição 2011 que é muito diferente da do ano passado.
O ano começa valendo aqui, na Terra Curitibis, bem antes do carnaval. Coisas que já aconteceram esta semana:
- faxina nas roupas: não, isso foi antes de viajar, então não é deste ano. Talvez seja um tópico de coisas que deveriam ter acontecido esta semana
- limpeza da caixa de email: já prometi que vou fazer isso, mas sempre dá uma preguiça. Você vê o número de emails por lá e pensa porque você não deletou aquilo na hora. Então isso ainda não fiz
- fazer uma nova identidade: a minha foto do RG ainda é do tempo que obrigavam criança a usar terno. Toda vez que finalmente vou fazer a identidade nova chega alguém que diz ”a nova identidade, que vai ter chip, tá chegando, espera mais um pouquinho”.
- compra de material escolar: não, não tenho filhos ainda, mas dou aula. Tenho vontade de comprar lápis e caderno, parece que dá um início no ano. Coisas do tempo de piá.
- organizar a agenda do Antropofocus™: ah, isso já começou! Se tiver em dúvida é só olhar na nossa homepage.
Enfim, apesar da preguiça e do cheiro da água do mar me lembrando que é possível ficar de bobeira mais tempo, bora trabalhar!
Abraços a todos os heróis que não deixam o país parar até o Carnaval.
A sorte é diferente para cada um
28/12/10
O universo urbano permite uma série de novas soluções a antigos problemas. A fome da noite pode ser saciada por visitas a mercados 24h, pizzas delivery e a solução asiática que serviou a este artigo: comida chinesa.
Eu lembro de comida chinesa nos desenhos que assistia nos anos 80 e nos seriados dos anos 90 e já imaginava o gosto, antes mesmo de experimenta-la. Quando encomendei a minha primeira comida chinesa, me senti num daqueles takes cinematográficos intimistas, a meia luz, da vida solitária nova-iorquina, e pensei na hora: eu realmente vejo muita tevê. Mas o que recebi em casa não foi uma experiência cinematográfica, foi uma golfada de desilusão. Vocês podem pensar que é um exagero ou que quero criticar a comida que veio. Negativo, para ambas as possibilidades. A minha desilusão com a comida nem foi com a comida em si, mas com a sobremesa: os biscoitos da sorte.
Não era sensacional ver o Scooby-Doo abrindo um biscoito da sorte e lendo uma maldição? Ou um outro filme, em que o biscoito dizia a linda e jovem atriz “hoje você encontrará o amor de sua vida”. O biscoito da sorte era a cigana comestível! Era a Magic Ball da cozinha! Era o Walter Mercado em forma de bolacha! Se bem que o Walter Mercado tem a cara do Trakinas mesmo, com aquele sorriso congelado a base de botox.
Mas nada disso. As franquias de comida chinesa, talvez com medo de serem acionadas na justiça, deixaram o biscoito da sorte com cara de I-Ching americano, completamente sem comprometimento. Não há notícias ruins, não há grandes sortes no seu futuro, não há nada. E, mesmo assim, eles conseguem fazer alguns que vão além dos limites do bom senso anti-nonsense.

Minha esposa abre seu biscoito da sorte. Vem dois recados dentro (ela sempre tem mais sorte, também ganha todos os jogos de cílios entre nós). Eles estão fotografado aqui, do lado esquerdo:
Reparem que, ambas as frases, ainda tem algo a dizer.
Não é aquele biscoito da sorte a lá Scooby-Doo que eu esperava, tudo bem, mas queria dizer algo.
Então beleza, vou ver o meu, com a mesma esperança de adolescente vendo horóscopo no dia da prova pra qual ele não estudou nada.

Lá, encontro esta maravilha aqui do lado direito:
E, desde então, procuro por nuvens no céu.
Faça a sua própria sorte: pare de comer em restaurantes que colocam bilhetes dentro da comida.
Aquele abraço e feliz 2011 para todos nós!
Andrei Moscheto
Exercício de uma oficina de dramaturgia
21/12/10
Semana passada fiz uma oficina de dramaturgia com o Marcio Abreu, ali na Companhia Brasileira de Teatro, e ele propôs um exercício interessante. Seria uma entrevista relâmpago com algum dos nossos colegas e, munidos desta informação, escreva um texto rápido. O resultado do exercício está aqui:
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Quase uma estranha novidade dormir cedo. Acordar cedo, mais bizarro ainda. Nem acredito que o workshop – oficina? – começou falando sobre isso. Falava sobre a dificuldade de começar. Falava sobre isso. Hoje foi difícil começar.
Cedo, acordei, Tava dormindo com a camiseta de um vereador, uma campanha há tanto tempo atrás que é provável que ele esteja morto… ou honesto. Saio da cama pra fazer café. Frio. Frio em dezembro. Mas é Curitiba, eu deveria prever que isso sempre é possível aqui.
O café está pronto. “Agora o leite”, me lembra a gastrite.
- Você achou que eu ia esquecer?
- Não custa falar. Vai que hoje, por causa do frio…
- É muito cedo pra você duvidar de mim.
- Desculpa… Bom dia.
- Bom dia.
Volto e arrumo a roupa sobre a cama. Banho bem quente. A gastrite agradece e se acalma. Saio, me troco. Estou pronto. Só falta um único desafio. O gato.
Ele mora no meu apartamento, contra a minha vontade. Estou de blusa preta e, antes que possa refrear minha imaginação, já aciciono a blusa, mais o pêlo, mais a alergia, mais o ódio ao gato.
Vou checar os emails. Isso adia o desafio. Quem sabe, Aliás, que horas começa o curso mesmo? Veja no email. Às nove. Isso. Saio do quarto. Não há gato.
- Ele está no quarto do lado. A porta tá fechada. Aproveita.
- Pensei que você estivesse dormindo.
- Quando você se preocupa…
Saio para caminhar pela Comendador Franco. Ops! Araújo. Comendador Araújo. Sem pêlos de gato, com a energia do café e da torinha de banana. O dia já pode começar.
Um dia como todos os outros, não?
18/12/10
Sexta, dia 17 de dezembro. Um sexta chuvosa em Curitiba. Espera. Volte no texto e leia “chuvosa” de novo. Quando terminar de ler, volte aqui neste ponto. Leu? Volte mais vezes por lá e entenda bem claramente isso: chuvosa.
Meu (nosso) amigo Anry Aider me convidou para ser o Papai Noel deste ano, numa entrega de presentes num orfanato da cidade. Claro, topei, vamos lá. Vou na casa de uma amiga nossa e me preparo: roupa,. maquiagem, luvinha branca. Está tudo certo. E agora? Fica longe o orfanato, mas é só seguir o fusca laranja. Isso mesmo, um fusca laranja que toda vez que passa na rua as pessoas quase levantam a mão para pedir um taxi.
Se fosse só longe, sem problemas, O problema é que fica longe numa Curitiba que está com um número absurdo de carros. Volte na primeira linha desse relato e leia “chuvosa” de novo. Vocês sabem o que isso faz com os motoristas daqui? Eu mesmo não entendo.
Vamos atrás do fusca laranja. Ainda bem que a minha linda esposa, Anne Celli, está no volante. Levamos quase uma hora cruzando a cidade. Foi aí que o tio Murphy apareceu. Há poucas quadras do orfanato, eis que o fusca laranja morre. Morre morrido. Morre morto, num cruzamento entre duas rápidas! E agora? Agora, o bom velhinho desce e começa a empurrar o fusca laranja na chuva, que obviamente não pega. O que fazer, o que fazer, olhamos para os lados e decidimos levar o fusca laranja para dentro de um estacionamento de um supermercado. Lá foi o bom velhinho empurrando o fusca pra dentro do estacionamento.
Acreditem, eu escutei todos os gracejos no caminho:
- Rô-ro-rô!
- Olha lá o bom velhinho!
- O Papai Noel tá molhadinho.
O Natal é uma época especial do ano, né? Onde há o amor, a confraternização, a esperança, etc. Nem um filhodaP*%$ veio ajudar o bom velhinho a empurrar o carro!
Vocês acham que isso acabou assim? Não. A melhor parte foi que, no que achamos a vaga no estacionamento, o fusca laranja pegou. Viva!
Portanto, meninos e meninas, a lição do bom velhinho para vocês neste Natal é: quando Anry Aider pedir sua ajuda pra qualquer coisa, pergunte primeiro se ele comprou uma bateria nova pro fusca laranja.
Enquanto a vocês, que não ajudaram ontem a empurrar o carro, aguardem: anotei o nome de todos e mandei pro meu xará Noel. Esperem o presente que vai chegar este ano.








