Workshop

Segurando a nota de Cinco Dólares Canadenses do prêmio do Micetro

Um brasileiro campeão do Micetro no Loose Moose Theatre


micetro Um brasileiro campeão do Micetro no Loose Moose Theatre

Segurando a nota de Cinco Dólares Canadenses do prêmio do Micetro - foto de Elídio Sanna

Na sexta-feira, dia 15 de julho de 2011, um brasileiro foi campeão do Micetro em pleno Loose Moose, antológico teatro onde Keith Johnstone experimentou formas de ensinar e de jogar improviso por mais de um quarto de século. E este brasileiro é joinvillense, morador de Curitiba e diretor do Antropofocus™. Chique, né?

Vamos por partes, amigos leitores: o que é Micetro? É um formato bem simples de teatro competitivo. Um grupo de atores, que pode chegar até 20 participantes ou mais, vai ser escolhido aleatoriamente para fazer cenas em grupo. Ao final de cada cena, os atores recebem notas em forma de aplausos, que são colocadas num painel. Ao final de cada rodada, quando todos os atores apresentaram suas cenas, os atores com menos pontos são eliminados da apresentação, enquanto os outros continuam.

O jogo normalmente tem dois diretores que conduzem as cenas e ajudam os atores a corrigir problemas, caso a cena esteja emperrada, perdida, enrolada. A função deles no espetáculo é fundamental, tanto pro público como para o aprimoramento dos atores.

A melhor parte do Micetro (a pronúncia é “Maestro”) é que ele é um formato competitivo de improviso que elimina certos aspectos negativos da competitividade. As pessoas que estão em cena não querem que seus companheiros de cena percam, porque é o conjunto que ganha a cena. Ajuda muito o fato de que a figura de fora não é um juiz, que decide se foi falta, ou coisas do gênero, mas um diretor que quer cooperar com o crescimento da cena.

Essa última serve para nos lembrar do nosso sistema de ensino. Quais foram os seus grandes professores? Aqueles que apontavam quando você errava ou aqueles que te mostravam como você poderia melhorar aquilo que você já estava fazendo?

Eu ganhei a apresentação de ontem a noite. Talvez eu tenha sido o primeiro brasileiro a ganhar um Micetro em pleno Loose Moose (talvez não, já que tanta gente já passou por aqui). Isso quer dizer exatamente o quê, em termos pessoais? Que eu sou um improvisador ninja, capaz de “derrotar” outros improvisadores excelentes? Que o meu curso com o Keith Johnstone valeu a pena, pois agora eu até ganho formatos competitivos? Que nada! Isso quer dizer que meus companheiros de cena foram extremamente generosos e tive mais uma noite de aprendizado.

Valeu, Loose Moose Theatre. Vou sentir saudades.

Backstage Loose Moose Theatre Um brasileiro campeão do Micetro no Loose Moose Theatre

Nas coxias do Loose Moose Thetre - foto de Daniel Nascimento

O mestre e eu, foto do amigo canadense Bryan MacLeod

Workshop de improvisação com Keith Johnstone – II

O mestre e o pupilo Workshop de improvisação com Keith Johnstone   II

O mestre e eu, foto do amigo canadense Bryan MacLeod

Bom, eu tinha prometido pra mim mesmo – e para a Lala Bradshaw! – que escreveria um post por dia, para deixar registrada a experiência canadense. Eu sou muito feliz em saber da vasta compreensão e misericórdia que encontro nos amigos aqui, porque realmente não tem jeito. Nem todo os dias são para escrever no blog, mas tem bastante coisa escrita no caderninho.

O maior problema dos dias de aula é cômico, de tão trágico: são tantas portas de conversa se abrindo, de uma hora para a outra, para dar uma nova percepção a um exercício que você já fazia no Brasil. Fica impossível de seguir tudo, anotar todos os detalhes. Então regresso mentalmente para os ensinamentos das aulas de ki-aikido: aproveite o momento, o conhecimento vem na sequência. Ou, nas palavras sábias de Oogway, no filme Kung Fu Panda: o passado é história, o futuro é um mistério, mas o agora é uma dádiva. Por isso é que é chamado de presente.

No presente, estou aproveitando o curso. Na sequência, virão textos sobre alguns tópicos para o blog.

Querendo ver os outros artigos sobre essa viagem é só clicar AQUI.

Workshop de Improvisação na FAP – Faculdade de Artes do Paraná

Na semana passada ministrei um workshop de improvisação na FAP. Ensinar é, desde muito tempo, uma prática efetiva na minha vida para aprender conceitos novos num nível mais profundo. Funciona quase sempre. Você estuda coisas que são interessantes, que captaram a sua atenção, e tenta repassá-las da melhor maneira possível. Creio que esta é isto que atrai as pessoas ao magistério: poder passar um pouco daquilo que amam para outras pessoas.

Portanto, dar aulas de improviso são uma oportunidade para aprender mais sobre esta arte. Neste semestre tive duas oportunidades e espero poder repetir a experiência no segundo semestre.

O workshop da semana passada foi dentro da Mostra da Faculdade de Artes do Paraná e teve dois desafios de última hora bastante interessantes. Eu havia me preparado para um workshop com alunos da FAP exclusivamente. Como já fui aluno e professor da instituição, sabia mais ou menos qual era o perfil dos alunos de lá e preparei um workshop de três dias para eles. E, de cara, no primeiro momento de aula, tive duas surpresas: tínhamos alunos da FAP, de outras instituições, alunos sem experiência prévia com teatro e um aluno cego. Ou seja, os exercícios focados em interpretação para os atores já com a prática da faculdade e jogos com estímulos visuais caíram de imediato.

De novo, aprendi o valor de um dos conceitos comuns em improvisação: comece sem expectativas. Isso impedi qualquer frustração apareça, ou que você congele frente a um problema. O melhor é saber que esses alunos que não eram da faculdade não me trouxeram um problema, eles me deram uma oportunidade única de ter que readaptar tudo para que fosse possível dar a melhor aula para eles. Com isso, o workshop correu bem – vou mandar o link do artigo para alguns dos alunos e talvez eles possam dar para vocês uma opinião mais honesta.

Senti falta da apresentação no final do workshop, pois no anterior, ao final de uma semana, fizemos uma apresentação de impro aberta a comunidade. Foi uma maneira dos próprios alunos sentirem a diferença dos conceitos trabalhados em sala de aula com a adrenalina da apresentação, o fato de ter que lidar com as expectativas próprias, dos colegas de palco e da platéia (as expectativas da platéia são, em grande parte, falsamente criadas na nossa cabeça, mas isso é tópico para outro artigo).

Registrei um dos jogos de “E Agora?” com os alunos do workshop e coloquei aqui só para vocês conhecerem a turma. Obrigado pela atenção ao artigo e logo mais teremos outros!