Texto
Hoje sonhei acordado com um gibi
05/05/12
Trouxe na mala nesta viagem uma graphic novel (a diferença entre uma graphic e um gibi é que o gibi é algo que você não se importará em esquecer – física e mentalmente). Comecei a ler no avião e achei que iria saborear suas histórias entrecortadas entre um espaço vago e outro, entre uma parada solitária no café da manhã e uma ida ao banheiro. Mal comecei a ler e me descobri completamente encantado por DAYTRIPPER, dos irmãos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá. Li tudo. Numa sentada. Com o cinto do avião preso no bucho, um japonês roncando na esquerda, e uma lembrança que me ocorreu antes de começar a leitura: assento de avião vai continuar a ser apertado mesmo depois d’eu perder 15 quilos, duas pelancas e um braço.
Minto. Parei de ler umas duas vezes, descobrindo que quando a gente chora não dá pra continuar a ler.
DAYTRIPPER é uma graphic envolvente. Sua história narra a vida (as vidas!) de um escritor brasileiro, suas decisões e as várias possibilidades do que poderia acontecer na sua existência. Parece simples? Como toda a boa história, é simples. E te envolve. E foi feita para ser lida em letra e traço, mostrando que os gêmeos são feras nesta linguagem.
Cheguei no hotel e descobri que não sou o primeiro a achar o livro incrível. Prêmios para todos os lados. Justo, muito justo.
A dica deste sábado é DAYTRIPPER. Dá pra viajar acordado, quando se lê obras como esta.
Pra você, que começou o ano após o carnaval
24/02/12
Pensando em pessoas que não começaram o ano no dia primeiro de janeiro e precisam de um update, segue aqui a lista:
- Na virada do ano, muitas chuvas causaram tragédias a cidades do Sudeste brasileiro;
- Todos falam mais de futebol, com maior conhecimento de causa das ações e reações, do que da política – que nos rouba diariamente;
- O BBB voltou, fez uma palhaçada e aumentou sua audiência;
- O carnaval teve várias baixarias;
Ou seja: tá igualzinho a 2011!
Final de temporada de 2011
02/12/11
O ano de 2011 está chegando ao fim, mas o Antropofocus™ ainda tem fôlego para duas últimas aventuras em dezembro.
Dias 9, 10 e 11 têm TESTE DE ELENCO, um formato internacional de improvisação! Para saber mais, clique AQUI.
Nos dias 16, 17 e 18 é a vez de PEQUENAS CAQUINHAS. Se você não sabe nada sobre este espetáculo, clique AQUI.
Nessas duas semanas de temporada, temos uma novidade: se você doar um brinquedo ou livro infanto-juvenil, você paga meia entrada apenas!
E mais: estaremos recolhendo celulares velhos, quebrados e etc, que normalmente você não sabe o que fazer com eles para doar para a APACN – Associação Paranaense de apoia à Criança com Neoplasia.
Se divirta e ajude, ao mesmo tempo, neste natal!
Artigo publicado sobre o Improfocus™
17/10/11
Nosso espetáculo de improvisação Improfocus™ ganhou um artigo no site de improviso mais importante do Brasil, o Portal Improvisando. Veja o artigo lá e comente!
http://portalimprovisando.com/2011/10/13/outros-focos-antropofocus-improvisando-em-curitiba/
Abraços
CKC
11/10/11
Maluco – Tamu lá, Careca!
Careca – Hoje, no programa, você vai ver como os políticos desse país são uns corruptos!
Grosso – Corrupto é pouco, eles são uma cambada de %¨$&@#*.
Careca e Maluco riem muito
Careca – Você vai ver também: cantores de música brega que não conseguen falar coisa com coisa.
Maluco – Os caras são tão bregas, meu! Acho muito louco!
Grosso – E além de brega, eles são uns %$#¨@&**&@¨#
Careca e Maluco riem muito
Maluco – Pode crer! Sou da mesma opinião!
Careca – Não perca todas as bobagens da televisão na MAIS 5!
Grosso – Só vai ter gente fazendo %$&#. Porque são tudo um bando de %$¨#&@.
Careca e Maluco riem muito
Maluco – É verdade! Os caras são uns otários!
Careca – E depois temos uma enttrevista com a mulher do patrocinador.
Grosso – Essa mulher aí é uma %#¨#$¨#&$¨. Não tou nem aí.
Careca e Maluco param de rir.
Grosso – O que foi? Não é engraçado?
Careca – Por favor, saia já daqui. Rápido!
Maluco – Cara sem noção, mano!
Grosso – Mas eu sempre falo essas bobagens!
Careca – Mas nunca… NUNCA! Sobre alguém ligado ao patrocinador!
Maluco – Contra o patrocínico não tem graça, mano. Pirou.
Grosso – Mas eu falei só por falar, nem foi tão grave assim. Eu falei coisas piores aqui.
Maluco – Mas não foram contra o patrocinador.
Careca – Saia, e não volte mais!
Uma música angelical é ouvida e entra uma pessoa em roupas de santo.
Careca – (ajoelhando-se) Senhor patrocinador!
Maluco – (ajoelhando-se) Senhor patrocinador!
Patrocinador – Alguém aqui neste programa falou mal da esposa de um dos meus amigos. É verdade?
Careca – Foi um lapso, senhor! Isso nunca mais voltará a acontecer.
Maluco – Verdade, patrão. Verdade!
Patrocinador – Este é um program de opinião, mas não deve falar de tudo e de todos, ok?
Careca e Maluco – Sim, senhor!
Patrocinador – Enquanto nada negativo for falado contra mim e os meus, vocês ainda tem as minhas bênçãos. Podem continuar a brincar de tv.
Careca – Obrigado, senhor!
Maluco – Obrigado.
Careca volta a posição inicial
Careca – E estamos de volta com o programa cheio de opiniões reais e verdadeiras!
Regina Duarte: o novo Jim Carrey brasileiro!
08/08/11
Na sexta passada, ao jantar na casa de amigos, fui presenteado com a possibilidade de ver a nova novela da Globo “O Astro” (porque macrossérie é um jeito de dizer que é uma novela que passa tarde).
Fiquei maravilhado com várias coisas desse remake da Globo. A qualidade da letra da música de abertura, os momentos dramááááticos que mereciam ser narrados pelo Galvão Bueno e a nossa Jim Carrey brasileira Regina Duarte – recordista sul-americana de caretas por fala.
Portanto hoje, segunda, você pode assistir dois programas de humor na tevê brasileira: CQC, na Band, ou O Astro, na Globo!
Oração
08/06/11
Na semana passada, uma amiga muito querida e próxima sofreu um acidente grave. Ela é iluminadora teatral, e uma das funções dela, enquanto iluminadora, é afinar a luz. Isso significa subir em escadas altas e reposicionar a direção dos fachos de luz para posições corretas no palco. Na última sexta, por um acúmulo de fatalidades, ela caiu de uma dessas escadas.
Já trabalhei com iluminação e já subi muitas dessas escadas. A sensação de fragilidade, nas primeiras subidas, é substituída pelo orgulho de conseguir alcançar as alturas sob o olhar temeroso dos colegas.
Já cai de uma dessas escadas. Era uma apresentação em Ponta Grossa, interior do Paraná, onde o técnico da casa nem sabia que dava para mudar as lâmpadas de lugar. Subi, era uma daquelas escadas que encaixa em cima, portanto ela pode abrir em “V” ou pode correr uma pela outra e ficar ainda mais alta. Mas o encaixe não estava bem feito. Só deu tempo de avisar que ia pular e cair lá de cima, quase num dos atores. Quase quebrei as pernas e a bacia. Quase.
“Quase” é a palavra mais falada num momento em que quase tivemos uma fatalidade. Num acidente real, ele é substituído por “e se”.
E se ela não tivesse subido?
E se outra pessoa estivesse lá?
E se ela tivesse caído de outro jeito?
E se ela comesse cebola?
E se …?
No mar das possibilidades posteriores, as escolhas ideais são feitas sem pestanejar. Para quem conheceu o resultado trágico das ações, selecionar situações que poderiam mudar o resultado acaba sendo um raciocínio banal, “quase” como se fosse fácil antever aquilo que de fato aconteceu.
No mundo dos comentários do “quase”, exercitamos nossa maternidade ou paternidade com os quase acidentados. No mundo dos “e se”, nos falta como interlocutor a pessoa amada, pois nesse momento ela não consegue ouvir que estamos fazendo um esforço tremendo para reconstruir o passado, de uma maneira que o acidente nunca tenha acontecido.
Mas aconteceu. Apesar de você estar num quarto pertinho daqui, já sentimos muitas saudades de você.
A única resposta fácil de responder é “e se ela comesse cebola?” A resposta é que ela não seria essa fresca com comida, como ela é. Mas a conclusão é que este é mais um dos detalhes que sempre fez dela uma amiga única.
Qual é o motivo de escrever este artigo? Em parte, é para escrever sobre a fragilidade da vida, sobre aproveitar cada momento com as pessoas que você gosta, lembrar de abraçar seus amigos e dar certeza do quanto são importantes na sua vida, pois são a família que você escolheu – nenhuma imposição genética.
A outra razão é conseguir mais pensamentos positivos pela melhora dessa amiga. Se você leu o artigo, você já fez isso.
Obrigado.




