Teatro
Filmes 3D – Agora eu entendo pra quê!
27/04/12
Da primeira vez que vi um filme 3D foi no tempo do óculos vermelho e azul.
Foi num dos falecidos cinemas de um shopping de Curitiba (é engraçado lembrar que era um cinema de shopping que tinha pouco público, porque os cinemas de rua arrematavam todo mundo). Certa hora, durante o filme, a atriz colocava o óculos 3D no filme e a gente fazia o mesmo. Uma festa, para um pré-adolescente, era um filme de terror 3D. Uma festa que durou um minuto e pouco.
Neste breve momento, foi divertido ver a motosserra vindo na nossa direção. Super legal, gritos das pessoas no cinema, viva. Mas era um momento parque de diversões, e mais nada. Chato esperar pelo 3D e ter só aquilo. Fiquei decepcionado, de verdade.
Quando a tecnologia nova do 3D surgiu nos cinemas – e em algumas tevês – estava um pouco receoso que fosse o mesmo efeito brochante que tive no filme do Jason. Mas não foi, pelo contrário. Era uma animação, chamada Bolt, o Supercão, e o 3D fez com que os desenhos na telona de cinema tivessem um novo sentido. Depois teve Avatar, que também era uma experiência estética e cinestésica incrível, dentro do universo 3D (eu revi na “versão normal” durante uma viagem e já não achei grande coisa). Depois, ainda movido pelo novidade, fui ver Fúria de Titãs, que era um engôdo (o 3D era mais mequetrefe que o do Jason). Mas ainda queria saber para que tinha sido feita essa tecnologia, fora do efeito parque de diversões.
Afinal, o comentário geral do 3D era sempre “nossa, parece que tá saindo da tela”, ou ainda “isso é verdade?” Eu estava curioso para descobrir em que momento a tecnologia nova realmente serviria para abri novos caminhos.
Ontem eu descobri: Pina.
O filme mostra uma narrativa coreografada da grande criadora do teatro dança Pina Bausch. Suas coreografias ganham vida tanto pelos corpos quanto pelos relatos dos artistas que trabalharam com ela. Somos convidados a ver coreografias em palcos, em espaços abertos, em estúdios, sempre revelando a beleza do movimento do corpo humano quando esta carregado de significado. Dá muita vontade de ver uma das coreografias de Pina Bausch ao vivo. Mas, de certo modo, o 3D esta proporcionando isto a você.
Não é mais o retrato dinâmico do que seria uma coreografia, ela realmente tem a profundidade e os contornos reais do corpo. A experiência de estar na plateia de um ensaio ou de uma coreografia de Pina Bausch se acentua de tal maneira, que é mais plausível imaginar o que as pessoas sentiram, há mais de um século atrás, fugindo do cinema quando viram na tela um trem vindo na sua direção.
Já aviso que, ao contrário de Avatar, a experiência de ver o filme na “versão normal” não destruirá a sua experiência cinematográfica. Ao contrário dos personagens azuis de James Cameron, as coreografias de Pina Bausch foram feitas com a intenção de mostrar que o ser humano, em sua veracidade, tem três dimensões. Ou mais.
Final de temporada de 2011
02/12/11
O ano de 2011 está chegando ao fim, mas o Antropofocus™ ainda tem fôlego para duas últimas aventuras em dezembro.
Dias 9, 10 e 11 têm TESTE DE ELENCO, um formato internacional de improvisação! Para saber mais, clique AQUI.
Nos dias 16, 17 e 18 é a vez de PEQUENAS CAQUINHAS. Se você não sabe nada sobre este espetáculo, clique AQUI.
Nessas duas semanas de temporada, temos uma novidade: se você doar um brinquedo ou livro infanto-juvenil, você paga meia entrada apenas!
E mais: estaremos recolhendo celulares velhos, quebrados e etc, que normalmente você não sabe o que fazer com eles para doar para a APACN – Associação Paranaense de apoia à Criança com Neoplasia.
Se divirta e ajude, ao mesmo tempo, neste natal!
Uma lição sobre improvisação: “Elogie do jeito de ser”, um texto de Marcos Meier
20/11/11
Caso você não saiba, Marcos Meier é mestre em Educação, psicólogo, professor de Matemática e especialista na Teoria da Mediação da Aprendizagem em Jerusalém, Israel. Também é o amigo que celebrou o meu casamento.
Recebi este texto dele num e-mail enviado pelo meu pai e não consegui parar de pensar o quanto ele tem conexão com o universo dos improvisadores e atores. Segue o texto:
“Recentemente um grupo de crianças pequenas passou por um teste muito interessante[1]. Psicólogos propuseram uma tarefa de média dificuldade, mas que as crianças executariam sem grandes problemas. Todas conseguiram terminar a tarefa depois de certo tempo. Em seguida, foram divididas em dois grupos.
O grupo A foi elogiado quanto à inteligência. “Uau, como você é inteligente!”, “Que esperta que você é!”, “Menino, que orgulho de ver o quanto você é genial!” … e outros elogios à capacidade de cada criança.
O grupo B foi elogiado quanto ao esforço. “Menina, gostei de ver o quanto você se dedicou na tarefa!”, “Menino, que legal ter visto seu esforço!”, “Uau, que persistência você mostrou. Tentou, tentou, até conseguir, muito bem!” … e outros elogios relacionados ao trabalho realizado e não à criança em si.
Depois dessa fase, uma nova tarefa de dificuldade equivalente à primeira foi proposta aos dois grupos de crianças. Elas não eram obrigadas a cumprir a tarefa, podiam escolher se queriam ou não, sem qualquer tipo de consequência.
As respostas das crianças surpreenderam. A grande maioria das crianças do grupo A simplesmente recusou a segunda tarefa. As crianças não queriam nem tentar. Por outro lado, quase todas as crianças do grupo B aceitaram tentar. Não recusaram a nova tarefa.
A explicação é simples e nos ajuda a compreender como elogiar nossos filhos e nossos alunos. O ser humano foge de experiências que possam ser desagradáveis. As crianças “inteligentes” não querem o sentimento de frustração de não conseguir realizar uma tarefa, pois isso pode modificar a imagem que os adultos têm delas. “Se eu não conseguir, eles não vão mais dizer que sou inteligente”. As “esforçadas” não ficam com medo de tentar, pois mesmo que não consigam é o esforço que será elogiado. Nós sabemos de muitos casos de jovens considerados inteligentes não passarem no vestibular, enquanto aqueles jovens “médios” obterem a vitória. Os inteligentes confiaram demais em sua capacidade e deixaram de se preparar adequadamente. Os outros sabiam que se não tivessem um excelente preparo não seriam aprovados e, justamente por isso, estudaram mais, resolveram mais exercícios, leram e se aprofundaram melhor em cada uma das disciplinas.
No entanto, isso não é tudo. Além dos conteúdos escolares, nossos filhos precisam aprender valores, princípios e ética. Precisam respeitar as diferenças, lutar contra o preconceito, adquirir hábitos saudáveis e construir amizades sólidas. Não se consegue nada disso por meio de elogios frágeis, focados no ego de cada um. É preciso que sejam incentivados constantemente a agir assim. Isso se faz com elogios, feedbacks e incentivos ao comportamento esperado.
Nossos filhos precisam ouvir frases como: “Que bom que você o ajudou, você tem um bom coração”, “parabéns meu filho por ter dito a verdade apesar de estar com medo… você é ético”, “filha, fiquei orgulhoso de você ter dado atenção àquela menina nova ao invés de tê-la excluído como algumas colegas fizeram… você é solidária”, “isso mesmo filho, deixar seu primo brincar com seu videogame foi muito legal, você é um bom amigo”. Elogios desse tipo estão fundamentados em ações reais e reforçam o comportamento da criança que tenderá a repeti-los. Isso não é “tática” paterna, é incentivo real.
Por outro lado, elogiar superficialidades é uma tendência atual. “Que linda você é amor”, “acho você muito esperto meu filho”, “Como você é charmoso”, “que cabelo lindo”, “seus olhos são tão bonitos”. Elogios como esses não estão baseados em fatos, nem em comportamentos, nem em atitudes. São apenas impressões e interpretações dos adultos. Em breve, crianças como essas estarão fazendo chantagens emocionais, birras, manhas e “charminhos”. Quando adultos, não terão desenvolvido resistência à frustração e a fragilidade emocional estará presente.
Homens e mulheres de personalidade forte e saudável são como carvalhos que crescem nas encostas de montanhas. Os ventos não os derrubam, pois cresceram na presença deles. São frondosos, copas grandes e o verde de suas folhas mostra vigor, pois se alimentaram da terra fértil.
Que nossos filhos recebam o vento e a terra adubada por nossa postura firme e carinhosa.”
Creio que o talento dos atores e improvisadores* realmente possa ser um ponta-pé inicial muito importante para a carreira ou para o interesse inicial em projetos artísticos, mas se ficamos presos aos elogios sobre o nosso ofício, em vez de buscarmos os novos desafios, estaremos sempre empacados no mesmo ponto.
Obrigado ao amigo, professor e casamenteiro Marcos Meier pelo texto.
Para saber mais sobre Marcos Meier, visite a sua página clicando AQUI.
*comecei a distinguir atores e improvisadores pela quantidade de profissionais liberais que não atores, mas são improvisadores
CKC
11/10/11
Maluco – Tamu lá, Careca!
Careca – Hoje, no programa, você vai ver como os políticos desse país são uns corruptos!
Grosso – Corrupto é pouco, eles são uma cambada de %¨$&@#*.
Careca e Maluco riem muito
Careca – Você vai ver também: cantores de música brega que não conseguen falar coisa com coisa.
Maluco – Os caras são tão bregas, meu! Acho muito louco!
Grosso – E além de brega, eles são uns %$#¨@&**&@¨#
Careca e Maluco riem muito
Maluco – Pode crer! Sou da mesma opinião!
Careca – Não perca todas as bobagens da televisão na MAIS 5!
Grosso – Só vai ter gente fazendo %$&#. Porque são tudo um bando de %$¨#&@.
Careca e Maluco riem muito
Maluco – É verdade! Os caras são uns otários!
Careca – E depois temos uma enttrevista com a mulher do patrocinador.
Grosso – Essa mulher aí é uma %#¨#$¨#&$¨. Não tou nem aí.
Careca e Maluco param de rir.
Grosso – O que foi? Não é engraçado?
Careca – Por favor, saia já daqui. Rápido!
Maluco – Cara sem noção, mano!
Grosso – Mas eu sempre falo essas bobagens!
Careca – Mas nunca… NUNCA! Sobre alguém ligado ao patrocinador!
Maluco – Contra o patrocínico não tem graça, mano. Pirou.
Grosso – Mas eu falei só por falar, nem foi tão grave assim. Eu falei coisas piores aqui.
Maluco – Mas não foram contra o patrocinador.
Careca – Saia, e não volte mais!
Uma música angelical é ouvida e entra uma pessoa em roupas de santo.
Careca – (ajoelhando-se) Senhor patrocinador!
Maluco – (ajoelhando-se) Senhor patrocinador!
Patrocinador – Alguém aqui neste programa falou mal da esposa de um dos meus amigos. É verdade?
Careca – Foi um lapso, senhor! Isso nunca mais voltará a acontecer.
Maluco – Verdade, patrão. Verdade!
Patrocinador – Este é um program de opinião, mas não deve falar de tudo e de todos, ok?
Careca e Maluco – Sim, senhor!
Patrocinador – Enquanto nada negativo for falado contra mim e os meus, vocês ainda tem as minhas bênçãos. Podem continuar a brincar de tv.
Careca – Obrigado, senhor!
Maluco – Obrigado.
Careca volta a posição inicial
Careca – E estamos de volta com o programa cheio de opiniões reais e verdadeiras!
Workshop de Marco Gonçalves – uma visão de fora
20/09/11
Na semana passada, tivemos a presença do improvisador e professor de improviso Marco Gonçalves em Curitiba. Ele veio oficialmente para participar de um espetáculo de improviso, mas generosamente abriu a sua agenda para fazer um workshop com os estudantes de improviso em Curitiba.
Marco tem uma vasta experiência como improvisador e como professor desta arte. É ator da Companhia do Quintal, onde atua tanto no “Jogando no Quintal” (espetáculo de sucesso há 8 anos em cartaz) nomo do aclamado “Caleidoscópio”, peça em formato long form – longa duração.
O workshop foi ministrado durante três dias, para um grupo de 12 pessoas. As ideias trabalhadas durantes esses dias foram de aceitar melhor o próprio erro, avançar com a história, torcer pelo seu companheiro de cena. O workshop tinha exercícios que Marco Gonçalves aplica com regularidade em seu workshop contínuo, nas segundas a noite em São Paulo, e também novos exercícios aprendidos durante a sua recente temporada no Canadá, onde fez curso com um dos criadores do estilo contemporâneo de improviso, Keith Johnstone (eu também estive lá e parte da experiência você encontra descrita clicando AQUI).
Infelizmente só participei do workshop no primeiro dia. E que vontade de ter ficado por aqui e completado o curso. Mas, na semana seguinte ao workshop, tive o prazer de me apresentar como convidado do “Improvável”, da Cia Barbixas, junto com o Marco Gonçalves, que deixou este depoimento pra gente.
Aquele abraço.
Workshop de improvisação com Keith Johnstone – II
10/07/11
Bom, eu tinha prometido pra mim mesmo – e para a Lala Bradshaw! – que escreveria um post por dia, para deixar registrada a experiência canadense. Eu sou muito feliz em saber da vasta compreensão e misericórdia que encontro nos amigos aqui, porque realmente não tem jeito. Nem todo os dias são para escrever no blog, mas tem bastante coisa escrita no caderninho.
O maior problema dos dias de aula é cômico, de tão trágico: são tantas portas de conversa se abrindo, de uma hora para a outra, para dar uma nova percepção a um exercício que você já fazia no Brasil. Fica impossível de seguir tudo, anotar todos os detalhes. Então regresso mentalmente para os ensinamentos das aulas de ki-aikido: aproveite o momento, o conhecimento vem na sequência. Ou, nas palavras sábias de Oogway, no filme Kung Fu Panda: o passado é história, o futuro é um mistério, mas o agora é uma dádiva. Por isso é que é chamado de presente.
No presente, estou aproveitando o curso. Na sequência, virão textos sobre alguns tópicos para o blog.
Querendo ver os outros artigos sobre essa viagem é só clicar AQUI.
Uma semana em Curitiba, a outra no Canadá – um brasileiro rumo ao workshop de improvisação com uma lenda viva
27/06/11
Em época de frio, os passarinhos migram para regiões mais quentes. Mas eu, não. Estou a caminho do Canadá para fazer um workshop de improvisação, durante 10 dias, com o mestre de teatro Keith Johnstone. Serão dias intensos de trabalho, dedicação e de frio. Muito frio. Calgary não é conhecida como a cidade-sol do Canadá e é lá que fica o famoso Loose Moose Theatre, local mitológico do mundo da improvisação. Lá, no meio do frio.
Por que este vale encantando da improvisação não fica em Aruba? Ou no Havaí? Ou mesmo aqui do lado de Curitiba, em São José dos Pinhais? Porque toda a jornada de conhecimento vem com desafios extras, dirá para você qualquer contador de histórias. Não bastam as horas de voo, a distancia de casa e das pessoas amadas. Não basta as barras de cereais das escalas nacionais, as esperas em aeroportos, a expectativa que não será a sua mala que ficará perdida pelos recantos secretos da aviação internacional. Não basta. É preciso mais. Ou menos. Bem menos. Negativamente menos.
Podemos pegar de 31 graus até -9. A renite não vai me atacar, porque ela não vai entender o que está acontecendo. Não é uma mudança de temperatura, é um maluco entrando no forno ao sair da geladeira.
Dramático, eu? Talvez. Sim, é melhor fazer charme e se preparar para o pior e encontrar uma situação positiva. Todos os niilistas que passaram pela minha vida – e não se mataram – me ensinaram isso.
Vai valer a pena? Já valeu. Será um tempo grande dedicado a isso, a pensar sobre as infinitas possibilidades de se improvisar. Além do professor, estarei cercado de amigos improvisadores e de pessoas do mundo inteiro que buscam saber mais sobre essa arte. Estarei fora do meu habitat de segurança, contando histórias para estranhos e ouvindo suas façanhas ao redor das fogueiras, dos botecos, das televisões, dos cafés, de qualquer coisa que emita luz – ou calor.
Coloquei um vídeo abaixo, para que vocês conheçam meu futuro professor, infelizmente sem legendas. Ele diz algo muito sábio:
- Primeiro é preciso aprender a falhar e ficar feliz, depois a gente ensina o resto.
Estou pronto para falhar com o senhor, mestre. Não o desapontarei nisso.
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Participação no É TUDO IMPROVISO, durante o Festival de Curitiba 2011
13/04/11
Para quem não sabia (inclusive uns amigos meus, que ficaram chateados de saberem só depois que aconteceu) o mesmo elenco do É TUDO IMPROVISO, programa de improvisação que vai ao ar na rede Band de tevê quando o CQC está de férias, agora está fazendo a versão no teatro. Neste Festival de Curitiba de 2011 eles fizeram duas apresentações lotadas e, numa delas, eu fui o convidado.
Tá achando que é mentira? Veja o vídeo abaixo:
A noite foi incrível e memorável. Obrigado aos amigos Marcio Ballas, Cris Werson, Mari Armellini, Marco Gonçalves, Guilherme Tomé, Chuck e toda a equipe do Festival e da casa que ajudaram muito para a melhor realização da apresentação.













