Improvisação
Final de temporada de 2011
02/12/11
O ano de 2011 está chegando ao fim, mas o Antropofocus™ ainda tem fôlego para duas últimas aventuras em dezembro.
Dias 9, 10 e 11 têm TESTE DE ELENCO, um formato internacional de improvisação! Para saber mais, clique AQUI.
Nos dias 16, 17 e 18 é a vez de PEQUENAS CAQUINHAS. Se você não sabe nada sobre este espetáculo, clique AQUI.
Nessas duas semanas de temporada, temos uma novidade: se você doar um brinquedo ou livro infanto-juvenil, você paga meia entrada apenas!
E mais: estaremos recolhendo celulares velhos, quebrados e etc, que normalmente você não sabe o que fazer com eles para doar para a APACN – Associação Paranaense de apoia à Criança com Neoplasia.
Se divirta e ajude, ao mesmo tempo, neste natal!
Uma lição sobre improvisação: “Elogie do jeito de ser”, um texto de Marcos Meier
20/11/11
Caso você não saiba, Marcos Meier é mestre em Educação, psicólogo, professor de Matemática e especialista na Teoria da Mediação da Aprendizagem em Jerusalém, Israel. Também é o amigo que celebrou o meu casamento.
Recebi este texto dele num e-mail enviado pelo meu pai e não consegui parar de pensar o quanto ele tem conexão com o universo dos improvisadores e atores. Segue o texto:
“Recentemente um grupo de crianças pequenas passou por um teste muito interessante[1]. Psicólogos propuseram uma tarefa de média dificuldade, mas que as crianças executariam sem grandes problemas. Todas conseguiram terminar a tarefa depois de certo tempo. Em seguida, foram divididas em dois grupos.
O grupo A foi elogiado quanto à inteligência. “Uau, como você é inteligente!”, “Que esperta que você é!”, “Menino, que orgulho de ver o quanto você é genial!” … e outros elogios à capacidade de cada criança.
O grupo B foi elogiado quanto ao esforço. “Menina, gostei de ver o quanto você se dedicou na tarefa!”, “Menino, que legal ter visto seu esforço!”, “Uau, que persistência você mostrou. Tentou, tentou, até conseguir, muito bem!” … e outros elogios relacionados ao trabalho realizado e não à criança em si.
Depois dessa fase, uma nova tarefa de dificuldade equivalente à primeira foi proposta aos dois grupos de crianças. Elas não eram obrigadas a cumprir a tarefa, podiam escolher se queriam ou não, sem qualquer tipo de consequência.
As respostas das crianças surpreenderam. A grande maioria das crianças do grupo A simplesmente recusou a segunda tarefa. As crianças não queriam nem tentar. Por outro lado, quase todas as crianças do grupo B aceitaram tentar. Não recusaram a nova tarefa.
A explicação é simples e nos ajuda a compreender como elogiar nossos filhos e nossos alunos. O ser humano foge de experiências que possam ser desagradáveis. As crianças “inteligentes” não querem o sentimento de frustração de não conseguir realizar uma tarefa, pois isso pode modificar a imagem que os adultos têm delas. “Se eu não conseguir, eles não vão mais dizer que sou inteligente”. As “esforçadas” não ficam com medo de tentar, pois mesmo que não consigam é o esforço que será elogiado. Nós sabemos de muitos casos de jovens considerados inteligentes não passarem no vestibular, enquanto aqueles jovens “médios” obterem a vitória. Os inteligentes confiaram demais em sua capacidade e deixaram de se preparar adequadamente. Os outros sabiam que se não tivessem um excelente preparo não seriam aprovados e, justamente por isso, estudaram mais, resolveram mais exercícios, leram e se aprofundaram melhor em cada uma das disciplinas.
No entanto, isso não é tudo. Além dos conteúdos escolares, nossos filhos precisam aprender valores, princípios e ética. Precisam respeitar as diferenças, lutar contra o preconceito, adquirir hábitos saudáveis e construir amizades sólidas. Não se consegue nada disso por meio de elogios frágeis, focados no ego de cada um. É preciso que sejam incentivados constantemente a agir assim. Isso se faz com elogios, feedbacks e incentivos ao comportamento esperado.
Nossos filhos precisam ouvir frases como: “Que bom que você o ajudou, você tem um bom coração”, “parabéns meu filho por ter dito a verdade apesar de estar com medo… você é ético”, “filha, fiquei orgulhoso de você ter dado atenção àquela menina nova ao invés de tê-la excluído como algumas colegas fizeram… você é solidária”, “isso mesmo filho, deixar seu primo brincar com seu videogame foi muito legal, você é um bom amigo”. Elogios desse tipo estão fundamentados em ações reais e reforçam o comportamento da criança que tenderá a repeti-los. Isso não é “tática” paterna, é incentivo real.
Por outro lado, elogiar superficialidades é uma tendência atual. “Que linda você é amor”, “acho você muito esperto meu filho”, “Como você é charmoso”, “que cabelo lindo”, “seus olhos são tão bonitos”. Elogios como esses não estão baseados em fatos, nem em comportamentos, nem em atitudes. São apenas impressões e interpretações dos adultos. Em breve, crianças como essas estarão fazendo chantagens emocionais, birras, manhas e “charminhos”. Quando adultos, não terão desenvolvido resistência à frustração e a fragilidade emocional estará presente.
Homens e mulheres de personalidade forte e saudável são como carvalhos que crescem nas encostas de montanhas. Os ventos não os derrubam, pois cresceram na presença deles. São frondosos, copas grandes e o verde de suas folhas mostra vigor, pois se alimentaram da terra fértil.
Que nossos filhos recebam o vento e a terra adubada por nossa postura firme e carinhosa.”
Creio que o talento dos atores e improvisadores* realmente possa ser um ponta-pé inicial muito importante para a carreira ou para o interesse inicial em projetos artísticos, mas se ficamos presos aos elogios sobre o nosso ofício, em vez de buscarmos os novos desafios, estaremos sempre empacados no mesmo ponto.
Obrigado ao amigo, professor e casamenteiro Marcos Meier pelo texto.
Para saber mais sobre Marcos Meier, visite a sua página clicando AQUI.
*comecei a distinguir atores e improvisadores pela quantidade de profissionais liberais que não atores, mas são improvisadores
Artigo publicado sobre o Improfocus™
17/10/11
Nosso espetáculo de improvisação Improfocus™ ganhou um artigo no site de improviso mais importante do Brasil, o Portal Improvisando. Veja o artigo lá e comente!
http://portalimprovisando.com/2011/10/13/outros-focos-antropofocus-improvisando-em-curitiba/
Abraços
Antropofocus™ também homenageia Rafinha Bastos
07/10/11
Ontem o Antropofocus™ estava presente ao Risológico, evento de humor que acontece em Curitiba entre 6 a 9 de outubro, Como a noite de ontem tinha uma homenagem ao Rafinha Bastos, não resistimos e fizemos uma também!
Abraços
Andrei Moscheto
Workshop de Marco Gonçalves – uma visão de fora
20/09/11
Na semana passada, tivemos a presença do improvisador e professor de improviso Marco Gonçalves em Curitiba. Ele veio oficialmente para participar de um espetáculo de improviso, mas generosamente abriu a sua agenda para fazer um workshop com os estudantes de improviso em Curitiba.
Marco tem uma vasta experiência como improvisador e como professor desta arte. É ator da Companhia do Quintal, onde atua tanto no “Jogando no Quintal” (espetáculo de sucesso há 8 anos em cartaz) nomo do aclamado “Caleidoscópio”, peça em formato long form – longa duração.
O workshop foi ministrado durante três dias, para um grupo de 12 pessoas. As ideias trabalhadas durantes esses dias foram de aceitar melhor o próprio erro, avançar com a história, torcer pelo seu companheiro de cena. O workshop tinha exercícios que Marco Gonçalves aplica com regularidade em seu workshop contínuo, nas segundas a noite em São Paulo, e também novos exercícios aprendidos durante a sua recente temporada no Canadá, onde fez curso com um dos criadores do estilo contemporâneo de improviso, Keith Johnstone (eu também estive lá e parte da experiência você encontra descrita clicando AQUI).
Infelizmente só participei do workshop no primeiro dia. E que vontade de ter ficado por aqui e completado o curso. Mas, na semana seguinte ao workshop, tive o prazer de me apresentar como convidado do “Improvável”, da Cia Barbixas, junto com o Marco Gonçalves, que deixou este depoimento pra gente.
Aquele abraço.
Workshop de Improvisação com Keith Johnstone VI – Dennis, o motorista
31/07/11
Por que você faz o que você faz?
Essa é a pergunta assustadora que todas as pessoas tem que responder em algum momento de suas vidas. Seja por razões profissionais, éticas, sociais, amorosas, essa é uma pergunta difícil de sair com tranquilidade da garganta de qualquer um. Eu já ouvi essa pergunta de diversas bocas, especialmente de pessoas que não entendem exatamente o que eu faço, ou que não conseguem compreender que o que eu faço é um trabalho. Mas eu já gaguejei várias vezes ao tentar responder essa pergunta, porque muitas vezes eu tive dúvidas em relação as minhas escolhas – assim como você, leitor.
Durante o nosso workshop, eu conheci Dennis. Ele foi o motorista do ônibus que, todos os dias de manhã levava o nosso grupo para o workshop e levava a gente de volta no final da tarde. Desde o primeiro dia ele sempre foi muito simpático, um homem com um sorriso bonito. Ele acabou ficando curioso sobre a natureza do nosso curso e começou a ver alguns finais de aula. Para todos nós parecia algo natural, e era muito bom tê-lo próximo também em outros momentos.
No nosso primeiro final de semana durante o curso, foi organizada uma noite de improvisação brasileira. Seria uma noite bilíngue, porque tem uma pequena comunidade brasileira em Calgary que foi convidada. Dennis estava lá, curioso, assistindo a nossa apresentação. Márcio Ballas, que foi o Mestre de Cerimônias da noite, teve uma fina percepção e, durante várias vezes naquela noite, ele faria a seguinte brincadeira. De vez em quando, ele começava a falar com um tom um pouquinho mais solene, e dizia assim:
- Devemos também homenagear o nosso convidado especial desta noite, uma pessoa que tornou esta noite possível, uma pessoa que merece os nossos aplausos. O nosso convidado de honra: DENNIS!
E lá ia o Marcio Ballas para o meio da platéia abraçar o tímido Dennis. Isso aconteceu algumas vezes, todas as vezes ruborizando um pouquinho mais o nosso motorista. Se alguém do nosso grupo de alunos ainda não conhecia o nome do motorista, passou a saber o nome dele a partir daquela noite.
No penúltimo dia de aula, no final da aula, tivemos uma surpresa. Dennis apareceu com um bolo, todo decorado. Era um presente especial da nós, pela semana que passamos juntos. Isso já tinha deixado a todos muito felizes, mas quando fui buscar umas xícaras limpas para um café, foi que o Erik (uma das pessoas que ajudou a organizar todo o workshop) me contou que Dennis tinha tido alguns problemas pessoais. Parece que a esposa dele faleceu de um câncer, e ele mesmo era um sobrevivente de um tratamento difícil com esta mesma doença. A vida dele estava bem entristecida, mas daí ele teve “aquela” semana conosco.
Eu sou um manteiga derretida, então você pode imaginar como eu estava depois dessa história.
Então, quando alguém me pergunta hoje em dia porque eu faço o que eu faço, eu digo que é por causa do Dennis, um motorista do Canadá que queria sorrir de novo.
Um brasileiro campeão do Micetro no Loose Moose Theatre
16/07/11
Na sexta-feira, dia 15 de julho de 2011, um brasileiro foi campeão do Micetro em pleno Loose Moose, antológico teatro onde Keith Johnstone experimentou formas de ensinar e de jogar improviso por mais de um quarto de século. E este brasileiro é joinvillense, morador de Curitiba e diretor do Antropofocus™. Chique, né?
Vamos por partes, amigos leitores: o que é Micetro? É um formato bem simples de teatro competitivo. Um grupo de atores, que pode chegar até 20 participantes ou mais, vai ser escolhido aleatoriamente para fazer cenas em grupo. Ao final de cada cena, os atores recebem notas em forma de aplausos, que são colocadas num painel. Ao final de cada rodada, quando todos os atores apresentaram suas cenas, os atores com menos pontos são eliminados da apresentação, enquanto os outros continuam.
O jogo normalmente tem dois diretores que conduzem as cenas e ajudam os atores a corrigir problemas, caso a cena esteja emperrada, perdida, enrolada. A função deles no espetáculo é fundamental, tanto pro público como para o aprimoramento dos atores.
A melhor parte do Micetro (a pronúncia é “Maestro”) é que ele é um formato competitivo de improviso que elimina certos aspectos negativos da competitividade. As pessoas que estão em cena não querem que seus companheiros de cena percam, porque é o conjunto que ganha a cena. Ajuda muito o fato de que a figura de fora não é um juiz, que decide se foi falta, ou coisas do gênero, mas um diretor que quer cooperar com o crescimento da cena.
Essa última serve para nos lembrar do nosso sistema de ensino. Quais foram os seus grandes professores? Aqueles que apontavam quando você errava ou aqueles que te mostravam como você poderia melhorar aquilo que você já estava fazendo?
Eu ganhei a apresentação de ontem a noite. Talvez eu tenha sido o primeiro brasileiro a ganhar um Micetro em pleno Loose Moose (talvez não, já que tanta gente já passou por aqui). Isso quer dizer exatamente o quê, em termos pessoais? Que eu sou um improvisador ninja, capaz de “derrotar” outros improvisadores excelentes? Que o meu curso com o Keith Johnstone valeu a pena, pois agora eu até ganho formatos competitivos? Que nada! Isso quer dizer que meus companheiros de cena foram extremamente generosos e tive mais uma noite de aprendizado.
Valeu, Loose Moose Theatre. Vou sentir saudades.
Workshop de Improvisação com Keith Johnstone V – As máscaras
14/07/11
Video do nosso workshop de máscaras.
Workshop de Improvisação com Keith Johnstone IV – O macaco e eu
13/07/11

- Eu e o macaco – foto de Daniel Nascimento
Hoje eu atuei com um macaco de pelúcia. Esta é uma frase muito louca de se escrever. Parece pouca coisa, parece bobo, parece muitas coisas. Mas foi bastante revelador.
A única coisa que eu preciso dizer é: quando você viu a foto, você ficou reparando mais em mim ou no macaco? A sua resposta é a mesma da platéia aqui no Canadá.
Lembro que existe uma regra de ouro, falada pelos teatros brasileiros, de grande sapiência: nunca coloque uma criança ou um cachorro no palco, porque eles são mais interessantes do que qualquer ator.
Hoje, um macaco de pelúcia era mais interessante do que qualquer ator.
Nada mais a acrescentar para o momento.










