Biografia
Entrevista para a Ó TV
04/11/11
Falando sobre CONTOS PROIBIDOS DE ANTROPOFOCUS™
Bloco 01
Bloco 02
Bloco 03
Um brasileiro campeão do Micetro no Loose Moose Theatre
16/07/11
Na sexta-feira, dia 15 de julho de 2011, um brasileiro foi campeão do Micetro em pleno Loose Moose, antológico teatro onde Keith Johnstone experimentou formas de ensinar e de jogar improviso por mais de um quarto de século. E este brasileiro é joinvillense, morador de Curitiba e diretor do Antropofocus™. Chique, né?
Vamos por partes, amigos leitores: o que é Micetro? É um formato bem simples de teatro competitivo. Um grupo de atores, que pode chegar até 20 participantes ou mais, vai ser escolhido aleatoriamente para fazer cenas em grupo. Ao final de cada cena, os atores recebem notas em forma de aplausos, que são colocadas num painel. Ao final de cada rodada, quando todos os atores apresentaram suas cenas, os atores com menos pontos são eliminados da apresentação, enquanto os outros continuam.
O jogo normalmente tem dois diretores que conduzem as cenas e ajudam os atores a corrigir problemas, caso a cena esteja emperrada, perdida, enrolada. A função deles no espetáculo é fundamental, tanto pro público como para o aprimoramento dos atores.
A melhor parte do Micetro (a pronúncia é “Maestro”) é que ele é um formato competitivo de improviso que elimina certos aspectos negativos da competitividade. As pessoas que estão em cena não querem que seus companheiros de cena percam, porque é o conjunto que ganha a cena. Ajuda muito o fato de que a figura de fora não é um juiz, que decide se foi falta, ou coisas do gênero, mas um diretor que quer cooperar com o crescimento da cena.
Essa última serve para nos lembrar do nosso sistema de ensino. Quais foram os seus grandes professores? Aqueles que apontavam quando você errava ou aqueles que te mostravam como você poderia melhorar aquilo que você já estava fazendo?
Eu ganhei a apresentação de ontem a noite. Talvez eu tenha sido o primeiro brasileiro a ganhar um Micetro em pleno Loose Moose (talvez não, já que tanta gente já passou por aqui). Isso quer dizer exatamente o quê, em termos pessoais? Que eu sou um improvisador ninja, capaz de “derrotar” outros improvisadores excelentes? Que o meu curso com o Keith Johnstone valeu a pena, pois agora eu até ganho formatos competitivos? Que nada! Isso quer dizer que meus companheiros de cena foram extremamente generosos e tive mais uma noite de aprendizado.
Valeu, Loose Moose Theatre. Vou sentir saudades.
Workshop de Improvisação com Keith Johnstone V – As máscaras
14/07/11
Video do nosso workshop de máscaras.
Workshop de Improvisação com Keith Johnstone IV – O macaco e eu
13/07/11

- Eu e o macaco – foto de Daniel Nascimento
Hoje eu atuei com um macaco de pelúcia. Esta é uma frase muito louca de se escrever. Parece pouca coisa, parece bobo, parece muitas coisas. Mas foi bastante revelador.
A única coisa que eu preciso dizer é: quando você viu a foto, você ficou reparando mais em mim ou no macaco? A sua resposta é a mesma da platéia aqui no Canadá.
Lembro que existe uma regra de ouro, falada pelos teatros brasileiros, de grande sapiência: nunca coloque uma criança ou um cachorro no palco, porque eles são mais interessantes do que qualquer ator.
Hoje, um macaco de pelúcia era mais interessante do que qualquer ator.
Nada mais a acrescentar para o momento.
Workshop de improvisação com Keith Johnstone III – Uma apresentação legendária
12/07/11
Acho que existem dois grupos distintos de pessoas que visitam estes tópicos do blog. Um grupo é de improvisadores ou interessados em improviso. O outro de pobres desavisados que acharam que Keith Johnstone é um nome engraçado. Talvez o grande mote deste artigo seja um pouco mais para o primeiro grupo, porque não sei o quanto os outros visitantes gostariam de saber sobre o que vou contar.
Domingo a noite, dia 10 de julho de 2011, é um dia para ser lembrado para sempre. Acho que já sabia disso, mas fiquei ainda mais atento a este fato depois de uma conversa com o parceiro Elidio Sanna. Foi no domingo passado que um grupo de brasileiros montou, pela primeira vez, uma noite de improviso dentro do teatro Loose Moose, o berço do improviso. É como se você fizesse uma tragédia grega num daqueles teatros em ruínas na Grécia.
A noite teve momentos impagáveis, como o nosso Mestre de Cerimônias Marcio Ballas homenageando durante toda a noite o nosso motorista de ônibus Dennis. Cenas incríveis com os brasileiros e os convidados da Espanha (Jorge Rueda), do Uruguai (Danna Liberman e Lucia Dotta) e atores do elenco estável do Loose Moose (Shawn, Lindsay, Immanuela e Andrew).
Tive o prazer de ter uma cena de improviso dirigida por Frank Totino, fiz o MC do jogo do quadrado (em inglês, people, não se esqueçam disso) e, para acabar com chave de ouro, fizemos o jogo da torta e lambuzamos todo o Loose Moose de creme de barbear. Uma noite imortalizada para sempre no nosso DNA artístico.
Na segunda de manhã, ao entrarmos no ônibus, somos todos saudados por um sorridente Dennis, o motorista do ônibus, que nos oferece um dos elogios mais enigmáticos da história, mas muito positivo:
- Me diverti muito no show de vocês ontem a noite. É muito engraçado. Mais interessante que um show do Jonhny Cash, que assiste em Las Vegas há muitos anos atrás!
Toma essa, Johnny Cash!
PS - Tudo parecia que iria durar meses. A grande maioria tinha acertado a presença no workshop em dezembro do ano passado. Agora, já aqui, com tudo isso acontecendo de uma vez só, o tempo esta passando a sensação de voar rapidamente, fugindo do nosso controle. Mas continuamos aproveitando o máximo de cada dia.
Workshop de improvisação com Keith Johnstone – I
05/07/11
Já estou aqui no Canadá, em pleno verão super calorento (durante o dia) de 24 graus. Uau! Você acharia incrivelmente quente também se soubesse que aqui, durante o inverno, tudo fica congelado durante meses. Que o chão congela até dois metros abaixo de seu nível. Que o rio inteiro congela. Aqui as janelas – quase que 100% delas – não abrem. São feitas para isolar termicamente as casas e, portanto, não tem a função de refrescar os espaços.
Os primeiros dias são sempre de adaptação: ao clima, a comida, ao fuso, as pessoas, ao fato de falar e escutar inglês o tempo todo, ao fato de estar longe de casa. Todas as aclimatações necessárias para continuar por essa experiência incrível. Propaganda necessária para o governo de Calgary: a cidade é linda, muito verde (Curitiba não é verde, eu juro e tenho fotos para provar), muito organizada e as pessoas tem sido incríveis.
E o workshop, você me pergunta.
O workshop começou ontem, dentro do novo teatro do Loose Moose. Tem um ônibus amarelo, clássico de filme americano de high school, que nos leva todos os dias do nosso dormitório até o teatro e depois de volta ao dormitório. Chegamos por volta de 11 da manhã, estudamos até 1h30, paramos para o almoço, para depois retornar e só sair às 17h30. O dia passa muito rápido e, quando você vê, lá esta o nosso mestre Keith Johnstone, com seu inglês bem pronunciado e de voz baixa, olhando para o relógio e dizendo que já é hora de partir.
Os enfoques desses dois primeiros dias de workshop já foram múltiplos, mas o que eu já quero deixar registrado aqui é o “Kama Sutra de parceiro de Cena”. Por muitos ângulos vimos as possibilidades e variações de como deixar o seu companheiro de cena confortável e feliz em estar em cena com você. Importante salientar: para o benefício da platéia, e não apenas do seu colega.
Parece até pouco, mas não é. Garantir o bem estar de seu colega é garantir o bem estar da platéia. A frase mágica do nosso mestre (uma das muitas, o homem solta pérolas o tempo todo) no primeiro dia de aula: “eu gostaria que a platéia tivesse vontade de levar vocês para casa, ao final do espetáculo”. Na liberdade de não ter que fazer comédia, de não precisar ser engraçado o tempo todo, coisas maravilhosas acabam acontecendo.
Se você já leu os livros de Keith Johnstone talvez não se surpreenda pelos exercícios. Mas você com certeza se surpreenderia com a metodologia, com a quantidade de coisas a mais que ele tem a oferecer, com as pequenas informações que vão ao longo do exercício se somando, com a qualidade das referências.
Agora são 7 e meia da noite (22h30 no Brasil) e tenho que me arrumar. O sol ainda esta alto, mas ele fica assim até 23h. Foi difícil me acostumar a isso no primeiro dia, ficava olhando pela janela para ver se era de verdade. Acho que tenho um comportamento similar quando encontro Keith Johnstone.
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Uma semana em Curitiba, a outra no Canadá – um brasileiro rumo ao workshop de improvisação com uma lenda viva
27/06/11
Em época de frio, os passarinhos migram para regiões mais quentes. Mas eu, não. Estou a caminho do Canadá para fazer um workshop de improvisação, durante 10 dias, com o mestre de teatro Keith Johnstone. Serão dias intensos de trabalho, dedicação e de frio. Muito frio. Calgary não é conhecida como a cidade-sol do Canadá e é lá que fica o famoso Loose Moose Theatre, local mitológico do mundo da improvisação. Lá, no meio do frio.
Por que este vale encantando da improvisação não fica em Aruba? Ou no Havaí? Ou mesmo aqui do lado de Curitiba, em São José dos Pinhais? Porque toda a jornada de conhecimento vem com desafios extras, dirá para você qualquer contador de histórias. Não bastam as horas de voo, a distancia de casa e das pessoas amadas. Não basta as barras de cereais das escalas nacionais, as esperas em aeroportos, a expectativa que não será a sua mala que ficará perdida pelos recantos secretos da aviação internacional. Não basta. É preciso mais. Ou menos. Bem menos. Negativamente menos.
Podemos pegar de 31 graus até -9. A renite não vai me atacar, porque ela não vai entender o que está acontecendo. Não é uma mudança de temperatura, é um maluco entrando no forno ao sair da geladeira.
Dramático, eu? Talvez. Sim, é melhor fazer charme e se preparar para o pior e encontrar uma situação positiva. Todos os niilistas que passaram pela minha vida – e não se mataram – me ensinaram isso.
Vai valer a pena? Já valeu. Será um tempo grande dedicado a isso, a pensar sobre as infinitas possibilidades de se improvisar. Além do professor, estarei cercado de amigos improvisadores e de pessoas do mundo inteiro que buscam saber mais sobre essa arte. Estarei fora do meu habitat de segurança, contando histórias para estranhos e ouvindo suas façanhas ao redor das fogueiras, dos botecos, das televisões, dos cafés, de qualquer coisa que emita luz – ou calor.
Coloquei um vídeo abaixo, para que vocês conheçam meu futuro professor, infelizmente sem legendas. Ele diz algo muito sábio:
- Primeiro é preciso aprender a falhar e ficar feliz, depois a gente ensina o resto.
Estou pronto para falhar com o senhor, mestre. Não o desapontarei nisso.
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Workshop de Improvisação na FAP – Faculdade de Artes do Paraná
23/06/11
Na semana passada ministrei um workshop de improvisação na FAP. Ensinar é, desde muito tempo, uma prática efetiva na minha vida para aprender conceitos novos num nível mais profundo. Funciona quase sempre. Você estuda coisas que são interessantes, que captaram a sua atenção, e tenta repassá-las da melhor maneira possível. Creio que esta é isto que atrai as pessoas ao magistério: poder passar um pouco daquilo que amam para outras pessoas.
Portanto, dar aulas de improviso são uma oportunidade para aprender mais sobre esta arte. Neste semestre tive duas oportunidades e espero poder repetir a experiência no segundo semestre.
O workshop da semana passada foi dentro da Mostra da Faculdade de Artes do Paraná e teve dois desafios de última hora bastante interessantes. Eu havia me preparado para um workshop com alunos da FAP exclusivamente. Como já fui aluno e professor da instituição, sabia mais ou menos qual era o perfil dos alunos de lá e preparei um workshop de três dias para eles. E, de cara, no primeiro momento de aula, tive duas surpresas: tínhamos alunos da FAP, de outras instituições, alunos sem experiência prévia com teatro e um aluno cego. Ou seja, os exercícios focados em interpretação para os atores já com a prática da faculdade e jogos com estímulos visuais caíram de imediato.
De novo, aprendi o valor de um dos conceitos comuns em improvisação: comece sem expectativas. Isso impedi qualquer frustração apareça, ou que você congele frente a um problema. O melhor é saber que esses alunos que não eram da faculdade não me trouxeram um problema, eles me deram uma oportunidade única de ter que readaptar tudo para que fosse possível dar a melhor aula para eles. Com isso, o workshop correu bem – vou mandar o link do artigo para alguns dos alunos e talvez eles possam dar para vocês uma opinião mais honesta.
Senti falta da apresentação no final do workshop, pois no anterior, ao final de uma semana, fizemos uma apresentação de impro aberta a comunidade. Foi uma maneira dos próprios alunos sentirem a diferença dos conceitos trabalhados em sala de aula com a adrenalina da apresentação, o fato de ter que lidar com as expectativas próprias, dos colegas de palco e da platéia (as expectativas da platéia são, em grande parte, falsamente criadas na nossa cabeça, mas isso é tópico para outro artigo).
Registrei um dos jogos de “E Agora?” com os alunos do workshop e coloquei aqui só para vocês conhecerem a turma. Obrigado pela atenção ao artigo e logo mais teremos outros!
















