Andrei Moscheto
Diretor do Antropofocus™
Artigos por Andrei Moscheto
Hoje sonhei acordado com um gibi
05/05/12
Trouxe na mala nesta viagem uma graphic novel (a diferença entre uma graphic e um gibi é que o gibi é algo que você não se importará em esquecer – física e mentalmente). Comecei a ler no avião e achei que iria saborear suas histórias entrecortadas entre um espaço vago e outro, entre uma parada solitária no café da manhã e uma ida ao banheiro. Mal comecei a ler e me descobri completamente encantado por DAYTRIPPER, dos irmãos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá. Li tudo. Numa sentada. Com o cinto do avião preso no bucho, um japonês roncando na esquerda, e uma lembrança que me ocorreu antes de começar a leitura: assento de avião vai continuar a ser apertado mesmo depois d’eu perder 15 quilos, duas pelancas e um braço.
Minto. Parei de ler umas duas vezes, descobrindo que quando a gente chora não dá pra continuar a ler.
DAYTRIPPER é uma graphic envolvente. Sua história narra a vida (as vidas!) de um escritor brasileiro, suas decisões e as várias possibilidades do que poderia acontecer na sua existência. Parece simples? Como toda a boa história, é simples. E te envolve. E foi feita para ser lida em letra e traço, mostrando que os gêmeos são feras nesta linguagem.
Cheguei no hotel e descobri que não sou o primeiro a achar o livro incrível. Prêmios para todos os lados. Justo, muito justo.
A dica deste sábado é DAYTRIPPER. Dá pra viajar acordado, quando se lê obras como esta.
Filmes 3D – Agora eu entendo pra quê!
27/04/12
Da primeira vez que vi um filme 3D foi no tempo do óculos vermelho e azul.
Foi num dos falecidos cinemas de um shopping de Curitiba (é engraçado lembrar que era um cinema de shopping que tinha pouco público, porque os cinemas de rua arrematavam todo mundo). Certa hora, durante o filme, a atriz colocava o óculos 3D no filme e a gente fazia o mesmo. Uma festa, para um pré-adolescente, era um filme de terror 3D. Uma festa que durou um minuto e pouco.
Neste breve momento, foi divertido ver a motosserra vindo na nossa direção. Super legal, gritos das pessoas no cinema, viva. Mas era um momento parque de diversões, e mais nada. Chato esperar pelo 3D e ter só aquilo. Fiquei decepcionado, de verdade.
Quando a tecnologia nova do 3D surgiu nos cinemas – e em algumas tevês – estava um pouco receoso que fosse o mesmo efeito brochante que tive no filme do Jason. Mas não foi, pelo contrário. Era uma animação, chamada Bolt, o Supercão, e o 3D fez com que os desenhos na telona de cinema tivessem um novo sentido. Depois teve Avatar, que também era uma experiência estética e cinestésica incrível, dentro do universo 3D (eu revi na “versão normal” durante uma viagem e já não achei grande coisa). Depois, ainda movido pelo novidade, fui ver Fúria de Titãs, que era um engôdo (o 3D era mais mequetrefe que o do Jason). Mas ainda queria saber para que tinha sido feita essa tecnologia, fora do efeito parque de diversões.
Afinal, o comentário geral do 3D era sempre “nossa, parece que tá saindo da tela”, ou ainda “isso é verdade?” Eu estava curioso para descobrir em que momento a tecnologia nova realmente serviria para abri novos caminhos.
Ontem eu descobri: Pina.
O filme mostra uma narrativa coreografada da grande criadora do teatro dança Pina Bausch. Suas coreografias ganham vida tanto pelos corpos quanto pelos relatos dos artistas que trabalharam com ela. Somos convidados a ver coreografias em palcos, em espaços abertos, em estúdios, sempre revelando a beleza do movimento do corpo humano quando esta carregado de significado. Dá muita vontade de ver uma das coreografias de Pina Bausch ao vivo. Mas, de certo modo, o 3D esta proporcionando isto a você.
Não é mais o retrato dinâmico do que seria uma coreografia, ela realmente tem a profundidade e os contornos reais do corpo. A experiência de estar na plateia de um ensaio ou de uma coreografia de Pina Bausch se acentua de tal maneira, que é mais plausível imaginar o que as pessoas sentiram, há mais de um século atrás, fugindo do cinema quando viram na tela um trem vindo na sua direção.
Já aviso que, ao contrário de Avatar, a experiência de ver o filme na “versão normal” não destruirá a sua experiência cinematográfica. Ao contrário dos personagens azuis de James Cameron, as coreografias de Pina Bausch foram feitas com a intenção de mostrar que o ser humano, em sua veracidade, tem três dimensões. Ou mais.
Essa carta do Wagner Moura que está circulando pelo Facebook é de abril do ano passado? Não que o Pânico tenha mudado em alguma coisa, só para saber se é verídica e de quando é.
25/04/12
via Facebook
Tomara que dê certo!
23/04/12
Olá!
Desculpe a armadilha, mas estou testando uma nova maneira de publicar no meu blog que alimentará automaticamente o Facebook e o Twitter. Deu certo? Se você veio de uma dessas duas redes sociais, você deixaria um recado aqui embaixo pra mim?
Prometo que isso não se repetirá!
Pra você, que começou o ano após o carnaval
24/02/12
Pensando em pessoas que não começaram o ano no dia primeiro de janeiro e precisam de um update, segue aqui a lista:
- Na virada do ano, muitas chuvas causaram tragédias a cidades do Sudeste brasileiro;
- Todos falam mais de futebol, com maior conhecimento de causa das ações e reações, do que da política – que nos rouba diariamente;
- O BBB voltou, fez uma palhaçada e aumentou sua audiência;
- O carnaval teve várias baixarias;
Ou seja: tá igualzinho a 2011!
O filme “O Artista” já ganhou prêmio na minha academia
16/02/12
Ontem foi de de aproveitar cinema mais barato. Mas é claro, amigo visitante deste blog, que este que vos fala aproveita estes raros momentos de desconto, em que as salas de cinema deixam o preço de dois ingressos e uma pipoca custarem menos que R$ 60,00.
“O Artista” era um filme que tinha um grande inimigo: a expectativa. Todo mundo falando, todo mundo elogiando, comentários e mais comentários positivos sobre o filme. Fazem com que você fique com um pé atrás, ainda mais se você teve a infelicidade de passar seu mês de janeiro na praia, escutando a última unanimidade nacional e internacional de Michel Teló.
A mera ideia de alguém fazer um filme mudo em 2011 (quando estreou) parecia fora do grande mercado cinematográfico, quase que mais um daqueles cults que, você sabe, foram feitos para cinéfilos gozarem das pessoas comuns, com cara de debochem e dizendo “eles não entendem da grande arte”! Mas “O Artista”, definitivamente, não é isso.
É uma história que, no seu formato, homenageia o cinema mundial. Mas ela não deixa que a virtuosidade da forma impeça a história de ser profundamente humana. Fico listando todas as coisas que gostei do filme, na minha cabeça, mas acho que seria “spoiler” demais para quem ainda não viu.
“O Artista” é um desses filmes que VOCÊ TEM QUE VER, e aconselho você a deixar os piratas de lado e curtir numa sala de cinema.
Aproveite os dias de desconto!











